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Ministro do TSE é suspeito de contratar detetive para seguir a mulher

Advogado diz que Admar Gonzaga queria ‘levantar informações sobre a rotina’ dela

O ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teria pedido para o advogado Alexandre Luiz Amorim Falaschi contratar um investigador particular para seguir sua mulher, Élida Souza Matos, de acordo com depoimento prestado pelo próprio advogado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Brasília. O detetive, chamado Ailton Francisco Ferreira, ainda afirmou que instalou um rastreador no carro de Élida. No mês passado, ela registrou um boletim de ocorrência acusando o ministro de agredí-la, mas depois retirou a queixa.

O advogado relatou que Admar Gonzaga pediu para ele contratar um investigador particular para “levantar informações sobre a rotina” de sua mulher, durante o período de 1 a 17 de julho, quando ele estaria ausente.

Procurada pelo GLOBO, Élida disse que não iria comentar o caso. Já o advogado de Admar, Antônio Carlos de Almeida Castro — o Kakay, conhecido por defender investigados na Lava-Jato —, informou que nem ele nem o ministro estavam cientes do episódio, e que Admar afirmou que o relacionamento entre ele e a esposa está bom e seguem morando juntos.

— Ele está hoje morando normalmente com a Élida, mas não sabia do assunto — explicou.

Alexandre afirmou que desconhecia o caso e que iria buscar mais informações, mas não retornou.

Como o ministro tem foro privilegadio, o caso foi enviado para o Supremo Tribunal Federal (STF). O relator é o ministro Celso de Mello, que já é o responsável pela investigação sobre a suposta agressão. No mês passado, ele solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o interesse de dar prosseguimento ou não ao caso.

Agora, os novos autos também foram enviados para a PGR, já que, segundo Celso de Mello, “haveria, aparentemente, conexão” com os fatos da outra petição.

O episódio começou a ser investigado após Élida prestar depoimento na 10ª DP de Brasília, no dia 14 de julho, depois suspeitar que estava sendo seguida. Ela relatou seis ocasiões em que achou que estava sendo seguida, por dois carros diferentes.

Após desconfiar que estava sendo monitorada, ela levou seu carro a uma oficina mecânica, e descobriu que havia uma “caixa metálica prateada” na parte inferior do assoalho do veículo, presa por imãs.

Depois da ocorrência ter sido registrada, o carro foi enviado para o Insitito de Criminalística, e um laudo constatou que a caixa era um rastreador.

No dia 18 de julho, quatro dias depois de Élida registrar o caso, o detetive particular Ailton Francisco Ferreira prestou depoimento espontaneamente na DEAM. Ele afirmou que o advogado Alexandre Luiz Amorim Falaschi o contratou para seguir Élida à pedido de um cliente, sem especificar quem era.

Trecho do relatório elaborado pelo delegado do caso que mostra a fala de Alexandre – Reprodução
Ele afirmou que decidiu instalar o GPS após ter percebido que a mulher do ministro desconfiava que estaba sendo acompanhada.

Ailton ainda apresentou o contrato firmado com o advogado, que estabelecia que ele deveria fornecer “de maneira diária, o itinerário da pessoa a ser acompanha”, e que ele receberia R$ 10 mil pelo serviço.

No mesmo dia, Alexandre prestou depoimento e afirmou que foi procurado por Admar Gonzaga no dia 26 de junho, que perguntou se ele conhecia algum investigador particular.

Trecho do relatório elaborado pelo delegado do caso que mostra a fala de Alexandre – Reprodução
O advogado, então, confirmou que entrou em contato com Ailton e firmou o contrato que estabelecia o monitoramento de Élida, ressaltando que “promoveu a referida contratatação do sr. Ailton por solicitação do Sr. Admar Gonzaga Neto”.
oglobo

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