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Pastor é acusado de abusar sexualmente de neta de 10 anos; família fala em 13 vítimas

Pastor é acusado de abusar sexualmente de neta de 10 anos; família fala em 13 vítimas
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Um pastor de uma igreja localizada em Colombo está sendo acusado pelo Ministério Público e pela própria família de abusar sexualmente da neta durante dois anos – os abusos começaram quando a menor tinha apenas 10 anos de idade. O crime foi descoberto pela mãe da vítima cinco anos depois e, durante uma investigação particular, a família localizou pelo menos outras 12 vítimas.

O caso veio à tona quando a adolescente, que hoje tem 16 anos, começou a se distanciar do pai, filho do pastor acusado José Heraldo Michaki. “Por ser parecido na fisionomia e no jeito, ela [adolescente] começou a conciliar a imagem do pai com a imagem do avô e começou a ter um bloqueio. Quando o pai chegava perto ela ficava com medo”, explicou a mãe da vítima, Katia Regina Deminski. Certo dia, após discutir com o pai e chegar chorando em casa, a mulher questionou a filha sobre o que estava acontecendo e descobriu os abusos. “Ela explicou chorando, desesperada, ‘porque meu avô abusava de mim quando eu era menor’. Meu mundo caiu”.

Katia explicou que os abusos aconteciam quando a menina e o irmão mais velho iam dormir na casa dos avós. “Ela levantava e ia assistir televisão, até que um dia o avô chamou para ir assistir no quarto com ele. Na primeira vez começou a passar a mão e a tirar a roupa dela, a fazer carinho nas partes íntimas. Ela não gostou e começou a chorar, falando que não queria aquilo”, contou. Ao ser repreendido, Michaki passou a ameaçar a vítima, afirmando que se ela contasse a situação para alguém, quem pagaria seria o irmão mais velho. “Ele sempre foi um homem honrado, de respeito, querido por todos, que todo mundo ama. Sabe falar muito bem, sabe ganhar a confiança… sempre disposto a ajudar. Mas hoje eu sei o motivo, pois a característica de um pedófilo é essa, né? Ele compensa as vítimas”.

A mulher contou, ainda, que Michaki trabalhava em igrejas e retiros, e sempre teve a casa repleta de adolescentes, com quem fazia “noites da pizza” e era chamado carinhosamente de “avô”. “Sempre teve orgulho de dizer que trabalhava em retiro de adolescentes, que onde tinham retiros de jovens e adolescentes ele estava, que gostava de pessoas jovens. Hoje eu sei porque eles gostam de pessoas jovens”, revela Katia.

A vítima, que hoje tem 16 anos, revela que no início achou normal ser convidada pelo avô para ir ao quarto. “Ele começou a fazer carinho no meu cabelo, e nisso eu já fiquei ‘ah, normal, meu avô, não vai fazer mal algum’ e ele pegou e começou a passar a mão nos meus seios e foi indo para baixo, e tirou minha calça. Eu fiquei sem entender, eu não sabia o que estava acontecendo, fiquei bem assustada. Aí ele levantou da cama e veio para o outro lado e começou a mexer nas minhas partes íntimas, começou a me beijar no corpo inteiro”, revela a adolescente, que afirma preferir não forçar as lembras dos abusos que sofreu. “Eu tinha muito medo, tanto que quando eu contei eu fiquei ‘meu Deus, o que eu fiz’, por causa da minha família. Fiquei até meio arrependida, pois tinha medo da minha família se distanciar, isso que está acontecendo agora, mas foi o melhor a se fazer”.

A mãe da adolescente, responsável por registrar o Boletim de Ocorrência, descobriu que outras crianças já haviam sido vítimas do pastor. “Já tinha uma denúncia anônima contra uma outra neta, minha filha e outro sobrinho. Sem denúncia tem mais de 10 crianças, algumas que já são adultos com 50 e poucos anos. Pessoas da família foram abusadas também, inclusive netos que já faleceram”, afirma Katia.

O pai da adolescente e filho do acusado, Claudio José Michaki, conta que os abusos acontecem há pelo menos 40 anos, e que o caso da filha fez com que ele lembrasse de outras situações. “Lembrei que quando eu tinha uns 10 anos, ele [pastor] ficava sentado com as meninas no sofá da sala, coberto, e me tirava de casa. Eu tinha que ficar lá fora brincando, e só agora comecei a ligar as coisas… ele não queria que eu ficasse pois abusava sexualmente das meninas”, revelou. Para o homem, muitas vítimas não querem mais viver esse assunto e, por isso, decidem não denunciar, o que faz com que outras crianças também sejam abusadas. “Pessoas que já são casadas ou que não vão casar, não vão ter filho, pois isso deixou uma marca muito grande no coração dessas pessoas”.

A investigação e o inquérito já foram concluídos, e o processo agora está na Justiça. Nesta segunda-feira (27) aconteceu a primeira audiência do caso, e os familiares pedem para que Michaki pague pelo que fez. “Tenho medo que aconteça com outras crianças. O estrago que fez na vida da minha filha e da família é muito doloroso. Que ele não saia de inocente, pois ele, mais do que ninguém, sabe o que fez”, desabafou Katia. A adolescente optou por participar da audiência, onde ficou frente a frente com o avô.

Outro caso

A reportagem do Tribuna da Massa conversou com a mãe de outra vítima, neto de José Michaki, abusado quando tinha apenas cinco anos – quatro anos atrás. A mulher descobriu o crime após receber uma ligação anônima. “Na hora você pensa que é absurdo, você confia totalmente na pessoa: avô, homem de igreja, se dizendo pastor. Fui percebendo reações, indícios que uma criança com quatro, cinco anos começa a dar, a pedir socorro”, explicou.

A mulher conta que o filho começou a ter atitudes estranhas, como beijar outras crianças na escola ou fazer gestos obscenos. “A gente achava que era por ele ter recém perdido o pai, que fosse uma carência. Depois que descobri que esse senhor [pastor] é um pedófilo, um cretino”. A mãe da criança explica, ainda, que o filho começou a regredir após os abusos. “Ele saiu da creche alfabetizado, e a partir do momento que começou a ficar lá [com o avô] ele não lia mais, não escrevia mais, não desenhava mais. Existe um bloqueio muito grande”, desabafa.

Agora, o único desejo é que a justiça seja feita. “Quero que ele vá preso e que pague pelo que fez. Quero que as pessoas que conheçam esse sujeito, que foram abusadas, denunciem para ajudar, pois ele vai continuar fazendo isso com outras crianças”.

Procurado pela reportagem, Michaki preferiu não comentar as acusações.

Colaboração Lucas Rocha/Rede Massa

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