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Holocausto: Comentarista da Jovem Pan fala em “matar todos os judeus” do Brasil; veja vídeo

Holocausto: Comentarista da Jovem Pan fala em “matar todos os judeus” do Brasil; veja vídeo
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“Comentarista cristão” José Carlos Bernardi atribuiu o sucesso econômico da Alemanha ao Holocausto em uma declaração considerada antissemita; pesquisadora do tema afirma que ele tem que ser processado por racismo

José Carlos Bernardi, autointitulado “comentarista cristão”, fez um comentário com tom antissemita nesta terça-feira (16) durante debate transmitido ao vivo na Jovem Pan News, sugerindo que a morte de judeus ajudaria o Brasil a enriquecer e associando o sucesso econômico da Alemanha ao Holocausto – o genocídio promovido pelos nazistas que vitimou 6 milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial.

Ele discutia com a jornalista Amanda Klein a atuação de países europeus em defesa da Amazônia, chamando isso de “interferência”, e acusando a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, de ser “globalista” – discurso encampando por bolsonaristas que seguem as “teorias” de Olavo de Carvalho.

Em dado momento, Amanda Klein afirmou: “Quem dera se o Brasil chegasse aos pés do desenvolvimento econômico da Alemanha”.

Foi aí, então, que Bernardi, ainda que com tom irônico, fez o comentário, associando o sucesso econômico da Alemanha ao Holocausto. “É só assaltar todos os judeus que a gente consegue chegar lá. Se a gente matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico dos judeus, o Brasil enriquece. Foi o que aconteceu com a Alemanha no pós-guerra”, disparou.

Assista à cena.

Racismo

À Fórum, a antropóloga Adriana Dias, considerada uma das maiores estudiosas do neonazismo do Brasil, afirmou que a fala de Bernardi pode ser interpretada como uma apologia ao nazismo. “Eu diria que qualquer pessoa que incentiva um genocídio não deveria trabalhar numa emissora de TV. Não aguentamos mais essa ideia de que são os judeus que organizam o capital em torno de si e impedem os outros de crescer. Essa propaganda de ódio só consegue surgir nesse momento graças à fala conspiratória do Bolsonaro”, avalia.

A pesquisadora destaca, porém, que como o comentarista não fez referências a Adolf Hitler ou ao Estado nazista, ele deveria ser processado por racismo, que é um crime inafiançável e imprescritível. “Infelizmente no Brasil não é crime negar o Holocausto. Estamos tentando reformular essa lei”, diz.

Antissemitismo

Após o programa, a jornalista Amanda Klein foi às redes sociais para lamentar a fala de José Carlos Bernardi, que ela classificou como antissemita.

“Hj participei de debate em q meu colega fez um comentário antissemita. Na hora ñ ouvi direito. Ele me interrompia bastante. Quero manifestar meu mais profundo repúdio ao negacionismo histórico e à abjeta associação entre o Holocausto e motivações econômicas”, declarou.

Também pelas redes sociais, Michel Gherman, que é historiador, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) E coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaico da universidade, afirmou que, “além da ignorância completa dos processos do pós guerra, típica de um analfabeto em História, o sujeito incorpora referencias do antissemitismo”.

“Para essa nova extrema direita, o conceito do genocídio não existe. Assim, o Holocausto teve razões objetivas, que eles inventam. No caso acima, o cara da Jovem Pan, incorpora as logicas do antissemitismo mais escroto, diz que o assassinato de milhões de judeus tem relação com o dinheiro que eles teriam. Aqui, o sujeito incorpora referências do ‘judeu rico’ para justificar suas teses mirabolantes. Filhas do ‘nazismo de esquerda’, essas bobagens transformam o genocídio dos judeus em um detalhe”, explica Gherman.

Confira.

Revistaforum

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