Como atua a rede estrangeira ligada à Donald Trump em favor de Flávio Bolsonaro na eleição brasileira

O Visegrád24 entrevistou Flávio em fevereiro e fez posts pagos sobre suas chances na Polymarket em abril e setembro. O perfil é parceiro de veículos do espanhol Javier Negre, vice-presidente de uma empresa que também fez post pago sobre Flávio, e a cadeia chega ao marqueteiro Fernando Cerimedo, premiado por Eduardo Bolsonaro em Mar-a-Lago.

o domingo, 20 de setembro, às 21h28, o perfil estrangeiro Visegrád24 publicou para mais de 1 milhão de seguidores no X que a chance de Flávio Bolsonaro (PL) vencer a eleição estava disparando num site de apostas. E acrescentou: “Se ele vencer, toda a América do Sul, exceto a Venezuela e o Uruguai, será governada por conservadores”. A imagem mostrava Flávio ao lado do presidente argentino, Javier Milei. Embaixo do texto aparecia uma etiqueta pequena: “parceria paga”, usada pelo X para indicar que houve compensação ou outro incentivo pela publicação, que foi apagada.

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Não era a primeira vez. Em 30 de abril, o mesmo perfil já tinha publicado, também como parceria paga, que Flávio havia virado o favorito para ganhar a eleição, por placar de 43% contra 38% de Lula. E, antes disso, em fevereiro, o Visegrád24 tinha feito uma entrevista exclusiva com o senador, na qual ele afirmou que o Brasil tem “um presidente que apoia terroristas”.

O Visegrád24 é uma das pontas de uma rede de conexões estrangeiras que chega à eleição brasileira. Nela aparecem uma plataforma de apostas que recebeu investimento de um fundo do qual Donald Trump Jr. é sócio; um empresário espanhol que entrevistou Flávio e comanda um site que espalhou uma mentira sobre imigrantes para atacar Lula; e um marqueteiro argentino ligado à extrema direita latino-americana que Eduardo Bolsonaro premiou em Mar-a-Lago, prometendo “vencer as eleições de outubro com meu irmão Flávio”.

Quem é quem

A Fórum reconstituiu essas conexões a partir de registros de empresas nos Estados Unidos, documentos fiscais, publicações dos próprios envolvidos e investigações jornalísticas na Argentina, Bolívia e Estados Unidos que sinalizam que há uma articulação internacional da ultradireita em torno da campanha de Flávio Bolsonaro.

  • Polymarket: plataforma americana de mercados de previsão, bloqueada no Brasil desde abril e parceira oficial do X. Recebeu investimento do fundo 1789 Capital, do qual Donald Trump Jr. é sócio. Trump Jr. integra o conselho consultivo da empresa.
  • Visegrád24: perfil de notícias com mais de 1 milhão de seguidores, mantido por uma fundação americana. Entrevistou Flávio e publicou posts pagos sobre suas cotações na Polymarket.
  • Javier Negre: empresário de mídia espanhol, dono do La Derecha Diario e vice-presidente da UHN Plus, que também fez post pago sobre Flávio. Seus veículos lançaram, em parceria com o Visegrád24, a edição em espanhol do perfil, da qual ele diz ser dono. Entrevistou Flávio em março.
  • Fernando Cerimedo: marqueteiro argentino que difundiu alegações sem provas de fraude na eleição brasileira de 2022. Foi sócio de Negre, recebeu um prêmio apresentado por Eduardo Bolsonaro em Mar-a-Lago e está preso preventivamente na Bolívia.
  • Brad Parscale: ex-chefe da campanha de Donald Trump e criador da Campaign Nucleus, plataforma de tecnologia eleitoral que Cerimedo anunciou representar na América Latina.

O perfil que entrevistou Flávio

O Visegrád24 não é novo na política brasileira. Em outubro de 2025,  a Fórum revelou como o perfil, que atua como uma espécie de braço neofascista de Musk, entrou em ação durante a megaoperação policial no Alemão e na Penha, no Rio. Numa publicação viral, o perfil chamou Lula de presidente “de extrema esquerda” e definiu o Comando Vermelho como um grupo criminoso “de extrema esquerda” alinhado ao PT. Era a mesma tese usada por integrantes da família Bolsonaro para defender que os Estados Unidos tratassem facções brasileiras como organizações terroristas.

LEIA: Braço neofascista de Musk apoia clã Bolsonaro em ação de Trump para “bombardear a Guanabara”

Em 2026, o Visegrád24 passou a acompanhar Flávio de perto. Em 27 de janeiro, publicou trechos do discurso do senador numa conferência em Jerusalém. Em 4 de fevereiro, publicou a entrevista exclusiva, com perguntas sobre o Supremo, política externa, a relação com os Estados Unidos e o crime organizado.

Depois vieram os posts pagos.

O de 30 de abril, localizado pela Fórum numa busca avançada no X, teve quase 100 mil visualizações e dizia que Flávio havia superado Lula nas cotações da Polymarket.

O de 20 de setembro, com a foto de Flávio ao lado de Javier Milei, passou de 100 mil visualizações. Ele saiu no mesmo domingo em que a Polymarket anunciou, às 11h43, que Flávio havia atingido 58% no mercado. Naquele dia, Elon Musk reagiu com um “wow” a uma publicação que exibia o gráfico. A publicação (

 

O Visegrád24 publicou conteúdo pago semelhante sobre eleições de outros países. Na Colômbia, na véspera da votação presidencial, disse que as chances do candidato da direita estavam disparando.

Na França, em julho, apresentou Marine Le Pen como favorita.

Na Suécia, uma publicação sobre a eleição parlamentar elogiou o partido anti-imigração Democratas Suecos.

O que é a Polymarket

A Polymarket é uma plataforma de mercados de previsão na qual usuários colocam dinheiro em possíveis resultados de eleições, esportes e outros acontecimentos. Não é uma pesquisa eleitoral: ninguém entrevista uma amostra representativa de eleitores.

Quando o mercado indica, por exemplo, 58% para Flávio, isso significa que os contratos negociados naquele mercado chegaram a um preço equivalente àquela probabilidade. Não significa que 58% dos brasileiros pretendam votar nele.

O governo brasileiro bloqueou o acesso à Polymarket em abril porque a empresa não tem autorização para operar no país. Mesmo assim, ela mantém uma relação direta com a rede social onde os posts circulam: desde junho de 2025, é a parceira oficial de mercados de previsão do X.

Em agosto de 2025, o fundo 1789 Capital, do qual Donald Trump Jr. é sócio, investiu na empresa um valor que a Reuters estimou em dezenas de milhões de dólares. Trump Jr. também entrou para o conselho consultivo da Polymarket e é uma das figuras ligadas ao presidente dos EUA mais próximas a Eduardo Bolsonaro.

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A Polymarket já pagou criadores de conteúdo para divulgar seus mercados. Em junho, a empresa disse à rádio pública americana NPR que estava retirando o patrocínio de criadores que espalhavam informações falsas sobre eleições.

O jornal POLITICO mostrou ainda que Matthew Modabber, então diretor de marketing da empresa, usou uma conta pessoal do PayPal para enviar ao menos US$ 350 mil a criadores de conteúdo entre 2025 e fevereiro de 2026.

O selo “parceria paga” é exibido pelo próprio X quando o responsável pela conta declara uma relação comercial envolvendo compensação ou outro incentivo. O selo sinaliza a relação, mas não revela publicamente quem financiou aquela publicação específica. As regras do próprio X restringem parcerias pagas envolvendo conteúdo político e geopolítico, ressalvadas exceções analisadas pela plataforma.

Uma onda com rostos conhecidos

O Visegrád24 não está sozinho. O Metrópoles revelou em 21 de setembro que contas estrangeiras publicavam posts pagos envolvendo Flávio Bolsonaro. A Folha de S.Paulo contou ao menos 11 contas entre 18 e 21 de setembro, entre elas a do ex-deputado republicano Matt Gaetz, que escreveu que “Flávio pode salvar o Brasil”.

Várias dessas contas já participavam de campanhas semelhantes. O OSINTdefender, que publicou sobre Flávio no domingo 20 com o mesmo gráfico de 58% a 42%, já aparecia em março num levantamento da Columbia Journalism Review sobre posts pagos relacionados à Polymarket.

O americano George Behizy, outro participante da onda, já havia publicado conteúdo semelhante sobre Flávio em março. Eduardo Bolsonaro republicou parte das mensagens divulgadas pelas contas estrangeiras.

O empresário espanhol

Javier Negre é o elo entre várias pontas da rede. Ele é vice-presidente da UHN Plus Media Network, empresa de mídia registrada na Flórida em novembro de 2025. A própria UHN afirma que Negre se tornou coproprietário depois de um “investimento estratégico”, e a empresa se apresenta no X como “powered by Polymarket”.

Desde 30 de março, a UHN publicou ao menos nove posts ligando Flávio às cotações do site, sempre com números atualizados, até o “novo pico” de 60,5% em 21 de setembro.

O post de 14 de abril, que dizia que Flávio tinha acabado de ultrapassar Lula, estava marcado como parceria paga, segundo o site de checagem Factchequeado. O levantamento identificou oito publicações da UHN entre as peças pagas analisadas.

Negre também está ligado ao Visegrád24. Em maio de 2025, dois veículos dele, a EDATV e o La Derecha Diario, anunciaram uma parceria com o perfil para lançar sua edição em espanhol. Em novembro, Negre escreveu no X que é dono dessa edição. A conta principal do Visegrád24, em inglês, é mantida pela Intermarium Foundation.

A ligação entre essas estruturas vai além do lançamento da edição espanhola. Em outubro de 2025, ao anunciar o investimento estratégico do La Derecha Diario na UHN Plus, a própria UHN afirmou que a aliança integrava também EDATV, Informa Radio e Visegrád24 Español, formando uma rede de plataformas para ampliar seu alcance nas redes sociais. No anúncio, Negre afirmou: “Invertimos en UHN Plus para ser más grandes todos”.

O documento não demonstra sociedade ou caixa comum com a conta principal do Visegrád24, mas mostra que UHN, os veículos de Negre e o Visegrád24 Español eram apresentados pelos próprios envolvidos como integrantes de uma mesma aliança de mídia.

E Negre conhece Flávio. Em março, durante a CPAC realizada no Texas, perguntou ao senador o que ele faria para controlar o voto e uma “possível fraude eleitoral”.

Um mês antes, Negre não havia sido apenas convidado para a Hispanic Prosperity Gala em Mar-a-Lago. Ele aparece entre os organizadores do evento ao lado de Tony Delgado e Gabriela Berrospi, fundadores da Latino Wall Street. Em publicação sobre os bastidores da gala, Negre afirmou que foram três meses de trabalho e disse ter tido a honra de organizar o encontro com Delgado e Berrospi. Foi naquela mesma noite que Eduardo Bolsonaro apresentou Fernando Cerimedo no palco e o argentino agradeceu publicamente a Brad Parscale pela tecnologia com a qual trabalha.

A noite em Mar-a-Lago

A Hispanic Prosperity Gala aconteceu em fevereiro, no clube de Donald Trump na Flórida.

No palco, Eduardo Bolsonaro apresentou o argentino Fernando Cerimedo, que recebeu o prêmio de “consultor político do ano”. Eduardo afirmou que Cerimedo teve coragem de “ajudar o Brasil a partir da Argentina” ao expor uma “possível fraude eleitoral” em 2022.

Depois, dirigiu-se ao ministro Alexandre de Moraes: “Você prendeu meu pai; nós vamos vencer as eleições de outubro com meu irmão Flávio e tirar você da Suprema Corte”.

No próprio discurso, Cerimedo comemorou trabalhos eleitorais na Bolívia e em Honduras e defendeu uma “batalha cultural” contra a esquerda na América Latina.

Também agradeceu a Brad Parscale, ex-chefe da campanha de Donald Trump, por ter lhe fornecido a tecnologia com a qual trabalha. E agradeceu ao empresário texano Tim Dunn, financiador de organizações e candidatos conservadores nos Estados Unidos, por sua atuação na América Latina.

O marqueteiro

Cerimedo ficou conhecido no Brasil em novembro de 2022, quando fez uma transmissão afirmando, sem apresentar provas, que a eleição presidencial brasileira havia sido fraudada.

A Polícia Federal o indiciou em 2024 no núcleo de desinformação da investigação sobre a tentativa de golpe, como único estrangeiro da lista. A Procuradoria-Geral da República não o incluiu posteriormente na denúncia, por considerar insuficientes as provas de que ele soubesse da falsidade das informações que difundiu.

Cerimedo coordenou a comunicação digital da campanha de Javier Milei e posteriormente trabalhou em campanhas na Bolívia e em Honduras. À Agência Pública, admitiu comandar “trolls” — contas que seguem estratégias coordenadas para influenciar os algoritmos —, mas negou produzir notícias falsas.

Em julho deste ano, voltou a questionar o sistema eleitoral brasileiro numa transmissão ao lado de Eduardo Bolsonaro.

Em 18 de agosto, Cerimedo foi detido na Bolívia e, depois, teve a prisão preventiva decretada. O Ministério Público boliviano o acusa de ser o mandante da tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, a advogada Nadia Beller, que sobreviveu a três tiros. A defesa nega.

Numa busca em um apartamento ligado a ele em La Paz, investigadores dizem ter apreendido uma “fazenda de bots”, estrutura capaz de controlar contas automatizadas, além de mais de US$ 40 mil em dinheiro vivo. A defesa também contesta a existência dessa estrutura. O deputado Rui Falcão (PT-SP) pediu ao Supremo acesso aos equipamentos.

A tecnologia do ex-chefe de campanha de Trump

Brad Parscale comandou a campanha de Donald Trump e criou a Campaign Nucleus, uma plataforma destinada à operação de campanhas políticas. Em março de 2025, Cerimedo anunciou que representaria na América Latina as tecnologias da Campaign Nucleus e da EyesOver.

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Brad Parscale durante a campanha de Donald Trump (Mark Sagliocco / Getty Images via AFP)

Segundo a própria Campaign Nucleus, a integração com a EyesOver acompanha mudanças de sentimento público em tempo real e permite usar essa leitura para orientar mensagens, segmentação de público e alocação de recursos de uma campanha.

Registros oficiais americanos mostram ainda uma sobreposição concreta entre essas estruturas. A Campaign Nucleus LLC aparece em registros eleitorais no endereço 3745 Medina Road, Unit C, Medina, Ohio. A EyesOver LLC aparece em documentos eleitorais do Texas no mesmo endereço, como 3745 Medina Road, Ste C. E a Clock Tower X LLC, empresa registrada por Brad Parscale sob a lei americana de agentes estrangeiros, declara como endereço principal 3745 Medina Road, Ste C.

A coincidência não demonstra, por si só, que sejam uma única empresa ou que compartilhem recursos financeiros, mas reforça documentalmente que Campaign Nucleus, EyesOver e Clock Tower X integram uma mesma estrutura operacional em torno de Parscale.

Em resposta à Fórum, Fernando Cerimedo nega qualquer vínculo com a campanha de Flávio Bolsonaro e diz que a relação com a UHN Plus, Visegrád24 e Polymarket é “exclusivamente responsabilidade de Javier Negre”, sócio do La Derecha para quem está vendendo as ações da empresa.

Quem banca o Visegrád24

O Visegrád24 foi criado na Polônia em 2020 pelo polonês-sul-africano Stefan Tompson. Como a Fórum mostrou em reportagem publicada em 2025, o projeto é mantido pela Intermarium Foundation, entidade americana sem fins lucrativos e isenta de impostos.

Em setembro, o site chileno El Ciudadano mostrou que a fundação arrecadou US$ 852.312 em 2024, quase tudo em contribuições.

A declaração fiscal da DonorsTrust, organização americana que financia projetos conservadores, registra ainda um repasse de US$ 175 mil para a Intermarium Foundation com uma finalidade expressamente registrada: “to support Visegrad24”.

Esse documento trata do financiamento institucional do veículo e não demonstra que os US$ 175 mil tenham financiado qualquer publicação sobre Flávio Bolsonaro.

A mentira sobre Santa Catarina

A rede de mídia ligada a Negre também atuou diretamente no debate brasileiro por outras frentes.

Cerimedo foi dono de metade do La Derecha Diario até agosto, quando Negre anunciou ter adquirido a participação restante. Poucos dias depois, em 25 de agosto, o La Derecha publicou que Lula estaria provocando uma onda de imigrantes marroquinos em Santa Catarina.

A informação era falsa. A reportagem verdadeira do g1 tratava de 50 marroquinos atendidos ao longo de três meses por uma entidade católica em Florianópolis. Fotografias utilizadas para ilustrar a narrativa eram do enclave espanhol de Ceuta, no norte da África.

Até julho, Santa Catarina havia recebido 57 pedidos de refúgio de cidadãos marroquinos, menos de 2% do total registrado no estado.

Segundo o Observatório Lupa, a narrativa teve 13,4 mil menções em uma semana, a maior parte proveniente de contas na Argentina. Publicações contendo a versão falsa chegaram a 475 mil visualizações.

O que se sabe — e o que ainda falta saber

A reconstrução feita pela Fórum mostra que a história começou antes da onda de anúncios revelada em setembro.

O Visegrád24 já tinha uma parceria anunciada com veículos de Javier Negre, conseguiu acesso direto a Flávio para entrevistá-lo em fevereiro e publicou posts pagos sobre suas cotações na Polymarket em abril e setembro.

Paralelamente, a UHN Plus, da qual Negre é vice-presidente, também publicou conteúdo pago sobre Flávio ligado à Polymarket. Negre havia sido sócio de Fernando Cerimedo no La Derecha Diario, e Cerimedo mantém relação pública e documentada com a infraestrutura tecnológica de Brad Parscale.

Essas conexões são verificáveis. O que os documentos não demonstram é que mídia, Polymarket e tecnologia de campanha façam parte de uma única operação coordenada para beneficiar Flávio Bolsonaro.

Também não foi localizado contrato entre essa rede e a candidatura.

As principais perguntas permanecem abertas: quem financiou especificamente os posts do Visegrád24; quem escolheu Flávio como assunto dessas publicações; quem intermediou a entrevista de fevereiro; e se alguma estrutura estrangeira mantém relação direta ou indireta com fornecedores da campanha brasileira.

O que diz a lei

A Lei das Eleições só permite propaganda eleitoral paga na internet nas hipóteses de impulsionamento previstas na legislação e contratadas pelos atores autorizados.

As regras do TSE vigentes em 2026 também proíbem conceder, direta ou indiretamente, vantagem econômica a pessoas físicas ou jurídicas para que façam publicações de cunho político-eleitoral em seus próprios perfis, páginas ou canais.

Além disso, o artigo 24 da Lei 9.504 proíbe que candidatos e partidos recebam, direta ou indiretamente, doação de entidade ou governo estrangeiro, inclusive em forma de publicidade.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que impulsionamentos eleitorais feitos por terceiros, no Brasil ou no exterior, podem violar as regras eleitorais. Cabe à Justiça Eleitoral analisar cada caso, inclusive a origem do pagamento, quem contratou a publicação e eventual vínculo ou conhecimento da candidatura beneficiada.

O X também informou ao TSE que manteria proibidos no Brasil os anúncios políticos e de campanha.

Outro lado

A campanha de Flávio Bolsonaro disse anteriormente à Folha de S.Paulo que não tinha conhecimento dos anúncios. Em agosto, integrantes da campanha também negaram ao jornal qualquer relação formal com Fernando Cerimedo. A defesa de Cerimedo nega as acusações relacionadas ao processo criminal que ele enfrenta na Bolívia.

A Fórum enviou  pedidos de posicionamento à campanha de Flávio Bolsonaro, à Polymarket, ao X, à UHN Plus, a Javier Negre, a Fernando Cerimedo/Numen e à Campaign Nucleus, com pedido de encaminhamento a Brad Parscale. Entre as perguntas estão quem financiou as publicações, quem escolheu Flávio como tema, se houve participação de intermediários e se existe alguma relação comercial ou operacional com a candidatura ou seus fornecedores.

Apenas Fernando Cerimedo retornou, por e-mail enviado por assessora na Numen. O publicitário argentino nega relação com a campanha de Flávio Bolsonaro e diz que a operação do La Derecha, incluindo a relação com os demais atores citados, está sob responsabilidade exclusiva de Javier Negre, que não retornou aos questionamentos.

O espaço segue aberto para manifestações e eventuais esclarecimentos das partes citadas.