O que deveria ser o símbolo da redenção económica e da fé para os municípios de Pilar e Santana do Ipanema transformou-se num alerta sobre a falta de planeamento técnico e o risco ao erário. Dois dos maiores projetos de turismo religioso de Alagoas — o Santuário de Senhora Sant’Ana e a estátua do Cristo no Pilar — estão paralisados devido a graves falhas de engenharia.
O diagnóstico, feito pelo experiente engenheiro civil Marcos Carnaúba, aponta uma falha básica, mas fatal: a ausência de estudos sobre a ação dos ventos. Segundo o especialista, fundações e estruturas verticais de grande porte não podem ser executadas sem cálculos aerodinâmicos precisos, especialmente em regiões de ventos intensos como o topo das serras.
O Caso de Santana do Ipanema: Sonho Interrompido
No Sertão, a construção do Santuário de Senhora Sant’Ana, com uma imagem prevista de 38 metros, foi vendida como o motor de uma nova “economia criativa”. O projeto, orçado em mais de R$ 22 milhões, prometia mirantes e geração de emprego. No entanto, a realidade técnica travou o discurso político. Sem os estudos de resistência necessários, a obra iniciada tornou-se um esqueleto de betão exposto ao tempo, sem previsão de retoma.
O Cristo do Pilar: Risco e Incerteza
No Pilar, a situação do Cristo de 70 metros é igualmente crítica. Diante do impasse estrutural, a prefeitura local e a empresa responsável recorreram a especialistas do Rio de Janeiro — os mesmos que cuidam do Cristo Redentor — para tentar salvar o projeto. O objetivo é reavaliar as fundações e decidir se a estrutura ainda oferece condições de segurança para ser concluída.
Lição de Gestão e Segurança
A soma dos investimentos nos dois monumentos ultrapassa os R$ 34 milhões. Para Marcos Carnaúba, o cenário é um exemplo clássico de “improvisação técnica”. Ele alerta que obras deste porte sem o devido rigor não são apenas um desperdício de dinheiro público, mas representam um risco real à vida.
Enquanto os engenheiros tentam “fazer milagres” para corrigir os erros de projeto, a população aguarda respostas sobre a transparência dos gastos e o destino de recursos que, até agora, só resultaram em canteiros de obras vazios e frustração.
Redação com tribunadosertao




