Anthony Garotinho explica “o sistema”, que entrou em pane com caso Master e Daniel Vorcaro; veja vídeo

Ex-governador do Rio, que viveu a ascensão e a queda dentro do establishment, Garotinho explica de forma didática como funciona o sistema e seus pilares de sustentação dentro do judiciário, do Congresso Nacional e da mídia liberal.

x-governador do Rio de Janeiro, que viveu a ascensão e a queda dentro do chamado establishment, Anthony Garotinho, atualmente no União Brasil, explicou de forma didática como, segundo ele, funciona “o sistema”, termo popularizado pela ultradireita e usado por bolsonaristas – especialmente por Carlos Bolsonaro (PL-RJ) – para fisgar eleitores.

“Quando eu falo sobre sistema, a pessoa fica em casa: “Mas o que que é o sistema?” Então eu vou explicar para você, você que está nos assistindo aí, como é que é o sistema? O sistema, ele tem algumas partes, eu vou falar só a parte de cima que é a mais importante”, disse o ex-governador que já foi preso em 2016 por crimes eleitorais em entrevista ao GeralPod.

Na sequência, Garotinho dá nomes – ou melhor, sobrenomes – ao sistema e lista seus tentáculos de sustentação dentro do judiciário, do Congresso Nacional e da mídia liberal.

“A cabeça do sistema são os bilionários do Brasil liderados pelo sistema financeiro. A família Moreira Sales, né? A família Setúbal, os donos do Bradesco, essa galera de cima”, lista o ex-governador, sobre as famílias que controlam o grupo Itaú Unibanco.

O Bradesco foi criado pela família Aguiar em 1943, mas atualmente é uma empresa de capital aberto que tem a Cidade de Deus – Companhia Comercial de Participações S.A. com o maior bloco acionário, com 28%. A lista de acionistas ainda conta com fundos de investimentos transnacionais, como BlackRock e Vanguard.

Para dar sustentação a seus interesses, segundo Garotinho, os bilionários contam com uma tríade: os guarda-costas, os legisladores e a voz do sistema.

“Quem são os guarda-costas do sistema? As cortes superiores. Eles protegem o sistema para que nada chegue no sistema”, diz.

“Do lado de cá, eles têm os legisladores do sistema, que são os políticos que, normalmente, giram em torno de 350 deputados federais, alguns governadores e pelo menos 41 senadores. […] A sua bancada pessoal ali. É o que eu chamo de legisladores do sistema”, emenda.

Por fim, o ex-governador fala de uma “parte poderosa, que é a mídia tradicional”.

“Ela é o quê? Ela é a voz do sistema. Quando você ouve um comentarista, você não precisa ouvir os outros, porque eles vão repetir tudo que tá no boletim do sistema, que é o boletim Focus”, diz.

Publicado semanalmente pelo Banco Central, o boletim Focus é uma pesquisa feita com cerca de 160 analistas ligados ao sistema financeiro que dão as diretrizes para os principais indicadores, como inflação e PIB, e é usado para causar pânico quando a política econômica não segue a cartilha neoliberal dos grandes bancos.

“É tudo igual, né? Então, eles falam para quem? Eles falam para um público muito específico, que é uma classe média média e média um pouquinho para cima. O povo não vê isso. Isso é a cabeça do sistema”, resume.

Na sequência, Garotinho explica como o caso Master, banco de Daniel Vorcaro, provocou uma pane no “sistema”, colocando as partes umas contra as outras.

“Por que que nós estamos em crise? Porque o O Vorcaro, não é bem visto pela cúpula do sistema. Ele é um banqueiro que sempre foi visto como 171”, diz, referindo-se ao artigo do Código Penal que classifica o estelionato.

“Então, na hora que o sistema quer expelir ele. E ele tem como advogado uma outra parte do sistema. Opa! É o sistema brigando com o sistema. É crise. Porque uma parte está dizendo para a mídia: ‘fala mal dele’. A outra parte está dizendo: ‘Não, segura aí’. Então, o sistema hoje está meio que paranoico. Você tem os políticos querendo proteger ele. O Supremo querendo proteger ele. O TCU querendo proteger ele. A cabeça do sistema querendo engolir ele – que é onde está o dinheiro. E a mídia repercutindo o que a cabeça manda”, conclui.

Assista ao vídeo.

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