Dallagnol cai no ridículo, se atira no chão e viraliza ao pregar contra corrupção

Com gestos exagerados e chiliques retóricos, ex-procurador da Lava Jato vira piada nas redes com discurso que cabe como uma luva em sua própria trajetória; vídeo

Oex-procurador da República Deltan Dallagnol voltou a ganhar destaque nas redes sociais após publicar um vídeo em que assume um tom de pregação religiosa e pede a Deus que “afaste do cargo aqueles que praticam corrupção, que abusam do poder e que praticam injustiça”. A encenação, marcada por gestos largos e exagerados, voz solene e chiliques retóricos ele provocou reações imediatas e uma onda de piadas nas redes.

Na gravação, Dallagnol abandona o vocabulário jurídico e adota o estilo de um culto improvisado, misturando oração, política e julgamento moral. Com semblante grave e pausas dramáticas, ele tenta construir uma narrativa de combate espiritual ao mal, sem citar nomes, fatos concretos ou processos específicos.

O vídeo foi rapidamente associado, por críticos, ao histórico do próprio ex-procurador. Dallagnol. Ao pedir a intervenção divina contra quem “abusa do poder”, ele acabou, segundo internautas, descrevendo o roteiro de sua própria saída.

Lava Jato

A trajetória de Dallagnol ficou marcada pelo protagonismo na Lava Jato, operação que, com o tempo, passou a ser criticada por excessos, personalismo e uso político do sistema de Justiça. Parte da comunidade jurídica aponta que esse método contribuiu para práticas de lawfare, corroendo garantias legais e a confiança nas instituições — justamente o oposto do discurso de pureza ética agora encenado.

Nas redes sociais, a comparação com um “pastor digital” foi recorrente. Usuários destacaram o contraste entre a teatralidade atual e as decisões judiciais que apontaram irregularidades em sua atuação passada. Para críticos, a oração pública funciona menos como ato de fé e mais como estratégia de reposicionamento político, com direito a gestos calculados e frases de efeito.

Com a cena, Dallagnol reacendeu o debate sobre os danos deixados pela Lava Jato: carreiras atingidas, processos anulados, interferência no jogo político e desgaste do sistema de Justiça.

Para muitos críticos, ao pedir que Deus “afaste do cargo” quem pratica corrupção, abuso de poder e injustiça, Dallagnol não apenas exagerou na performance, como produziu, involuntariamente, um retrato bastante familiar de si mesmo.

Revista Forum