280 milhões de anos e mais antigo que os dinossauros: trocos encontrados no Brasil revelam pistas de um passado esquecido

Descoberta lança novas perguntas sobre o passado geológico do território brasileiro

 

Muito antes do surgimento dos dinossauros, o território que hoje forma o Piauí abrigava um tipo de vegetação radicalmente diferente da atual. Essa reconstrução do passado ganhou novos elementos após a identificação de troncos petrificados com cerca de 280 milhões de anos no município de Miguel Alves, no norte do estado.

A análise do material indica que os fósseis pertencem ao Período Permiano, da Era Paleozoica, fase marcada por profundas transformações ambientais no planeta. Os exemplares são classificados como gimnospermas, grupo de plantas aparentadas a pinheiros e araucárias, inexistentes no bioma predominante da região atualmente.

O estudo preliminar foi conduzido pelo paleontólogo Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que confirmou a idade aproximada dos fósseis e a relevância científica do sítio. Até o momento, ao menos dez troncos foram reconhecidos no local, alguns deles preservados de forma incomum.

Indícios raros do passado ambiental

Parte dos troncos aparenta estar em posição vertical, o que sugere que foram fossilizados próximos ao local onde cresceram. Esse tipo de preservação é considerado raro e reforça o valor científico do achado, já observado em poucos pontos do mundo e também em áreas específicas do próprio Piauí.

Os fósseis funcionam como registros naturais de um período em que o clima e a paisagem do Nordeste eram muito distintos dos atuais. Para os pesquisadores, esse tipo de material ajuda a reconstituir a história climática, geológica e ecológica da região, ampliando o entendimento sobre a evolução ambiental do continente sul-americano.

Além do interesse científico, o local passa a ser visto como um possível foco de preservação e educação científica. A criação futura de um museu ou parque paleontológico é apontada como uma alternativa para proteger o sítio e, ao mesmo tempo, estimular atividades culturais e turísticas ligadas à ciência.

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