Maria Shirlei Piontkievicz diz que não ofendeu o ministro Flávio Dino em voo e afirma que versão divulgada sobre o episódio é “invenção”
A servidora pública Maria Shirlei Piontkievicz, alvo de uma ação no STF após acusação de hostilizar o ministro Flávio Dino dentro de um avião, sustenta que não ofendeu o magistrado. Em resposta a uma reportagem da coluna no Instagram que informava que Alexandre de Moraes é o relator do caso, ela argumentou que se assustou após ser abordada por seguranças de Dino.
“Eu não chamei o Dino de lixo, não otimizem. Falei que o Dino estava no avião porque queria falar de um assunto grave que vi no Maranhão. Mas me assustei porque o segurança dele me abordou, colando em mim. Vi outro segurança dele sem cabelo. Depois soube que tinham 11 assessores dele em volta”, comentou.
Maria Shirlei sustenta que não tentou agredir o ministro e que desistiu de abordá-lo após a aproximação dos seguranças. “Não tentei agredi-lo porque não posso fazer força alguma, estou com 3 hérnias de disco na cervical. Fiz os passeios nos Lençóis [Maranhenses] com colar cervical, simplesmente desisti de abordá-lo e ficava pedindo para o segurança para eu passar, e o segurança (coronel) não deixava”, relatou.
A servidora afirmou que, ao se sentar no avião, comentou que o ministro queria implantar o comunismo no país e disse ter sido confrontada por assessoras de Dino. “Quando sentei, falei que o Dino quer implantar o comunismo no Brasil. Suas assessoras falaram que a direita já era, que tem que implantar o comunismo mesmo no Brasil. Eu as questionei: onde o comunismo deu certo? Nisso saiu muita fumaça do ar-condicionado, e eu falei: e agora o avião ficou contaminado de comunismo”, escreveu.
Ela também atribuiu à equipe do ministro a divulgação da versão que a identifica como apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro e nega ter feito outras declarações mencionadas no caso. “Foi a assessoria de imprensa dele que falou que eu era bolsonarista e era agressiva porque o julgamento do Bolsonaro começaria no outro dia… Se tiver uma testemunha que fale o contrário disso, é mentira. Processarei ela e a empresa onde ela trabalha. Nunca falei ‘não viajarei com esse tipo de gente’. Acho que na minha vida inteira nunca falei assim com ninguém; isso foi invenção do ministro”, afirmou.
Servidora do Estado do Paraná desde 2008 que atua no Hospital do Trabalhador, em Curitiba (PR), Maria Shirlei chegou a ser detida após o episódio, ocorrido em setembro de 2025 em um voo que partia do Aeroporto de São Luís, no Maranhão, com destino a Brasília. Ela responde por injúria, incitação ao crime e atentado contra a segurança de transporte aéreo.
Versão do gabinete de Dino
Segundo informações do processo, ao perceber a presença de Dino na aeronave, a servidora teria dito que não respeitava “essa espécie de gente” e que o avião estava “contaminado”. Em seguida, teria chamado a atenção de outros passageiros gritando “Dino está aqui”.
Ao chegar ao Distrito Federal, Maria Shirlei foi detida e indiciada pela Polícia Federal pelos crimes de injúria qualificada e incitação ao crime. O processo corre em sigilo. De acordo com fontes do STF, o caso foi distribuído ao gabinete de Moraes porque o ministro relata o inquérito das Fake News, que apura ataques a integrantes da Corte.
Em janeiro deste ano, o plenário do STF a tornou ré sob acusação de injúria, incitação ao crime e atentado contra a segurança de Dino. Ela responde em liberdade e aguarda a definição de uma data para prestar depoimento à Polícia Federal.
Após o incidente, a assessoria de Flávio Dino enviou nota à coluna relatando que o ministro estava sentado no avião quando a passageira iniciou as hostilidades. Segundo a equipe, o comportamento cessou apenas após intervenção da tripulação e da Polícia Federal.
“A assessoria informa que o ministro Flávio Dino estava sentado e trabalhando, de cabeça baixa, aguardando a decolagem do voo São Luís — Brasília na tarde desta segunda-feira (1), quando uma mulher, aos gritos, embarcou e iniciou uma série de agressões contra o Ministro. A passageira em questão gritava que ‘não respeita essa espécie de gente’ e que o ‘avião estava contaminado’”, afirmou a assessoria.
Na mesma nota, a equipe do ministro relatou que a passageira teria tentado se aproximar do assento de Dino e chamado a atenção de outros passageiros. “A mulher tentou avançar em direção ao local de assento do ministro, sendo contida pela intervenção de um segurança, que se colocou entre ambos. Ressalte-se que a passageira também gritava frases como ‘o Dino está aqui’, apontando para o ministro, em clara tentativa de incitar uma espécie de rebelião a bordo. A mulher somente cessou sua conduta após ser advertida pela aeromoça-chefe de cabine. Um agente da Polícia Federal lotado no aeroporto de São Luís foi acionado, adentrou o avião e informou à segurança do ministro que iria comunicar à Superintendência de Brasília”, informou a assessoria.
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