Recém-filiado ao PL e pré-candidato no Paraná, ex-juiz evita responder sobre possível interferência na PF, tema que motivou sua saída do governo Bolsonaro
ma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (6) em Curitiba (PR) expôs um momento de constrangimento do senador Sergio Moro (PL-PR), que evitou responder a uma pergunta direta sobre a possibilidade de interferência na Polícia Federal (PF) em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu aliado e pré-candidato à presidência.
O episódio chamou atenção não apenas pelo teor da pergunta, mas pela reação de Moro, que demonstrou irritação e passou a dar respostas desconexas, sem abordar o questionamento central.
Durante a coletiva, um jornalista perguntou se Moro via risco de Flávio Bolsonaro tentar controlar a Polícia Federal — assim como ele próprio acusou Jair Bolsonaro de fazer em 2020, quando deixou o Ministério da Justiça. Na ocasião, Moro afirmou que o então presidente queria interferir na corporação para proteger o filho, investigado no caso das “rachadinhas”.
Diante da pergunta, Moro não respondeu diretamente. Em vez disso, gaguejou e desviou o assunto para ilações contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Olha, o que que a gente vê? Vamos ver o que está acontecendo nesse governo. Nesse governo, o que nós temos de volta? Roubalheira do PT. Roubaram até os aposentados e pensionistas. Eu acho que esse é o crime mais vergonhoso da história do país”, afirmou.
Na sequência, continuou a falar de temas diversos, citando supostos escândalos e mencionando o Judiciário, sem estabelecer relação com a pergunta inicial.
“E quem está lá suspeito a envolvido? O filho do presidente Lula. Então a gente vê até a Polícia Federal fazendo hoje um bom trabalho, mas por quê? Está sendo conduzido com mão firme e independente do ministro da Amendonça. Quem indicou o ministro da Amendonça? Jair Bolsonaro. Então vamos colocar as coisas no devido lugar.”
Mesmo após insistência dos jornalistas, Moro voltou a evitar a resposta. Questionado novamente — inclusive sobre sua atuação como ministro à época dos fatos — encerrou o assunto de forma abrupta:
“Outra pergunta.”
Veja vídeo da entrevista de Moro:
Moro e sua saída do governo Bolsonaro
A evasiva de Moro reacende um ponto sensível de sua trajetória política. Em abril de 2020, ele deixou o Ministério da Justiça acusando Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Segundo Moro, o objetivo seria proteger familiares, especialmente Flávio Bolsonaro, que à época era alvo de investigações.
O próprio Bolsonaro chegou a afirmar, em reunião ministerial posteriormente tornada pública, que mudaria o comando da pasta caso não pudesse interferir na PF — o que acabou acontecendo.
Agora, cinco anos depois, Moro se alia ao mesmo grupo político. Recém-filiado ao PL e pré-candidato ao governo do Paraná, ele passa a integrar o campo político ligado ao bolsonarismo, que terá Flávio Bolsonaro como candidato à presidência.
Aliança política e silêncio estratégico
A filiação de Moro ao PL faz parte de um acordo que fortalece o palanque de Flávio Bolsonaro no Paraná, ao mesmo tempo em que garante estrutura partidária ao ex-juiz na disputa estadual.
Nesse novo cenário, a postura evasiva adotada na coletiva sugere um esforço para evitar desgaste com aliados — ainda que isso implique deixar sem resposta uma questão central de sua própria narrativa política.
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