FESTA ESTRANHA Inimigos da democracia comemoram

Para quem estiver buscando referência para entender a dimensão da derrota do governo na noite desta quarta-feira (29), há um parâmetro simples a seguir. Basta observar quem são os políticos que comemoram com mais entusiasmo a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

É a nata da extrema direita e do fisiologismo. Gente que transformou o Congresso em antro de discurso de ódio, agressões, mentiras, reacionarismo e medidas anti-povo. Tudo regado pelo despejo bilionário de emendas parlamentares para uso inconfessável, fruto da chantagem do Legislativo sobre o Executivo.

Os integrantes dessa festa estranha de gente esquisita se enquadram perfeitamente na situação que Darcy Ribeiro, um dos maiores brasileiros de todos os tempos, definiu um dia: “Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.

Basta examinar alguns espécimes dessa fauna nefasta, que ontem sorria de orelha a orelha.

Figuras como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o braço direito de Silas Malafaia, ponta de lança em todas as propostas extremistas do bolsonarismo, que embala barbaridades em discurso de retórica evangélica. É o “moralista” na casa de quem a Polícia Federal encontrou R$ 430 mil em dinheiro vivo, que ele atribuiu de forma angelical a uma venda de imóveis (consumada somente 11 dias após a batida policial).

Outro que estava exultante era Gustavo Gayer, deputado do PL de Goiás indiciado pela PF pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e peculato. Os investigadores o consideram figura central em suposto esquema de desvio de verbas parlamentares, utilizando entidades inexistentes ou de fachada para ocultar os valores. Foi apontado pela CPI da Pandemia como um dos maiores disseminadores de mentiras durante o auge da covid-19. Teve condenação por violência política contra Gleisi Hoffmann, entre outras ocorrências.

Também festejou o resultado o senador Magno Malta, defensor do golpe de Estado bolsonarista, mais um que usa a retórica religiosa para tornar palatáveis os maiores absurdos. Foi processado por caluniar o ex-ministro do STF, Luis Roberto Barroso, a quem acusou de agredir a mulher, entre outras ocorrências.

O time de extremistas em clima de festa é grande: Jorge Seif, Zé Trovão, Bia Kicis, Artur do Val, Sérgio Moro, Rogério Marinho…

São políticos desse naipe lamentável que se agruparam para rejeitar ou para trabalhar pela rejeição de Messias, não por critérios técnicos, mas para avançar ainda mais no processo que torna o Executivo brasileiro mero joguete nas mãos do Legislativo.

É um jogo de xadrez dificílimo que Lula e sua equipe terão que jogar agora para não ficarem completamente encurralados, ainda mais ameaçados pelo pior Congresso da história durante os últimos meses de mandato.

Que o presidente use toda a sua experiência de estrategista para reverter a situação, especialmente neste ano eleitoral.

Não é somente o governo que depende disso, mas o futuro da democracia brasileira.