Após mais de um século, periquito-cara-suja volta a nascer na Serra da Ibiapaba Nascimento de 43 filhotes no Parque Nacional de Ubajara reacende a esperança para uma das aves mais ameaçadas do Brasil.
Há histórias que parecem improváveis até para quem trabalha diariamente com conservação ambiental. A do periquito-cara-suja é uma delas.
A cena pode passar despercebida para quem visita a serra. No entanto, para os especialistas que acompanham o projeto, cada filhote nascido carrega um significado enorme. Afinal, durante décadas, a presença da espécie na região existia apenas nos registros históricos.
O retorno não aconteceu por acaso. Por trás dele existe um esforço que reúne ciência, monitoramento e persistência. O projeto de reintrodução é conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Parque Nacional de Ubajara e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), em parceria com a organização não governamental Aquasis.
Além disso, caixas-ninho foram instaladas para estimular a reprodução em ambiente natural.
Primeiro vieram os sinais de adaptação. Depois, a ocupação dos ninhos. Agora, chegaram os filhotes.
Ciclo reprodutivo
Segundo os técnicos envolvidos no projeto, o nascimento das aves mostra que a espécie conseguiu se estabelecer na região e iniciar um ciclo reprodutivo considerado fundamental para a formação de uma população autossustentável.
A conquista ganha ainda mais relevância quando se observa o passado recente da espécie.
Por isso, o nascimento dos filhotes tem um peso que vai além da biologia. É como se a serra recuperasse uma peça que faltava em sua própria história.
Depois de décadas de silêncio, o voo do periquito-cara-suja volta a fazer parte da rotina das matas da Ibiapaba.
Especialistas destacam que o acompanhamento dos animais continuará sendo fundamental.

O monitoramento permanente, a proteção dos habitats e o combate ao tráfico de aves ainda são desafios que exigem atenção constante.
A diferença é que agora existe um motivo concreto para acreditar.
Os 43 filhotes que nasceram neste ano representam mais do que uma vitória dos programas de conservação. Eles simbolizam a possibilidade de que uma espécie ameaçada volte, aos poucos, a ocupar o espaço que nunca deveria ter perdido.
Parque está entre os mais visitados do Brasil.
Quem percorre suas trilhas costuma se encantar com as cavernas, os mirantes e a vegetação exuberante.
Agora, há também uma nova razão para olhar com atenção para as copas das árvores.
Em algum ponto da floresta, uma geração inteira de periquitos-cara-suja começa a escrever um capítulo que parecia impossível há poucos anos.




