PODCAST FATOS E NOTAS DO COMENDADOR: o trágico assassinato de Adeildo Nepomuceno Marques, um dos maiores líderes políticos do Sertão de Alagoas.

 

Ex-prefeito de Santana do Ipanema por três mandatos, vereador e deputado estadual, Adeildo foi morto a tiros e facadas na entrada de sua fazenda após retornar de Maceió, em um crime que chocou Alagoas e ganhou repercussão estadual. A origem do conflito remonta à eleição de 1976 em Poço das Trincheiras. Adeildo apoiava um grupo político ligado ao deputado federal Nelson Costa. Do outro lado estavam José Medeiros, do MDB, e Florisval Santos, o Vavá, da ARENA, vencedor da eleição por apenas sete votos. Inconformado com o resultado, Adeildo pediu a recontagem dos votos, mas o pedido foi negado pelo juiz Gabriel de Freitas Soares, aumentando a tensão política na região.

O radialista J. Arlindo, que foi motorista de Adeildo, contou que passou o dia viajando com ele. Ao chegarem a Santana do Ipanema, por volta das 22 horas, Adeildo decidiu deixá-lo em casa para que participasse do baile do Grito de Carnaval no Tênis Clube. Seguindo sozinho para a Fazenda Coqueiro Verde, Adeildo desceu do carro para abrir a porteira. Após entrar com o veículo e retornar para fechá-la, foi surpreendido pelos assassinos.

Segundo as investigações, um dos criminosos efetuou dois disparos de arma de fogo enquanto outro desferiu golpes de faca peixeira. Os dois fugiram logo em seguida. O primeiro a chegar ao local foi seu tio, Abdon Marques, avisado por Anete, esposa de Adeildo. Ele encontrou o ex-prefeito ainda com vida, segurando a faca cravada no abdômen. Abdon perguntou se ele havia reconhecido os criminosos, mas Adeildo respondeu que não. Durante o trajeto para o Hospital Doutor Arsênio Moreira, ainda reagiu a algumas perguntas com movimentos de cabeça, mas morreu antes de receber atendimento médico. Segundo Abdon Marques, os criminosos atiraram para derrubá-lo e, em seguida, o esfaquearam para garantir que não sobrevivesse. A notícia espalhou-se rapidamente. Ainda durante a madrugada, milhares de pessoas já se concentravam em frente ao hospital. Diante da repercussão, o governador Divaldo Suruagy determinou que o secretário de Segurança Pública, coronel Amaral, acompanhasse pessoalmente as investigações, conduzidas pelos delegados Rubens Quintella e Benedito Leite.

Na ocasião, Amaral declarou que acreditava que o crime havia sido planejado em Santana do Ipanema. Uma das linhas de investigação relacionava o caso ao assassinato do sargento Adroaldo Freitas Soares, ocorrido quinze dias antes em Maceió. Adroaldo era irmão do juiz Gabriel de Freitas Soares.

Na noite de 18 de janeiro de 1978, durante um apagão na capital, dois homens bateram à porta da residência do sargento. Ao abrir a porta segurando uma vela, ele foi atingido por 31 tiros. Investigadores da época apontaram semelhanças entre os dois crimes, principalmente pelo fato de as vítimas terem sido surpreendidas sem chance de reação. Outra linha investigativa destacava a forte rivalidade entre Adeildo e o juiz Gabriel de Freitas Soares, surgida após disputas ligadas ao processo eleitoral de Poço das Trincheiras.

O sepultamento de Adeildo Nepomuceno transformou-se em uma das maiores manifestações populares já registradas em Santana do Ipanema. Mais de 20 mil pessoas participaram do cortejo, acompanhadas por lideranças políticas de várias regiões do estado. Na segunda parte deste especial, você conhecerá os depoimentos dos fazendeiros, do vereador Luciano Gaia, de José Medeiros e de outros personagens investigados no caso.

Também vamos abordar o que disseram os acusados, os relatos atribuídos aos executores do crime, o julgamento de José Medeiros, as declarações de José Geraldo Marques, filho de Adeildo, além de outros detalhes sobre a trajetória política do ex-prefeito. Obrigado pela audiência.

Deixe seu comentário, compartilhe este episódio e envie sua pergunta ao Comendador Fernando Valões. Até o próximo Podcast Fatos e Notas do Comendador. Produção e narração Fernando Valões Edição Miguel Rian Imagens Acervo João Neto

Redação com Fernando valões