Comentarista associado ao Partido Missão chamou o jogador de ‘mono’ (macaco). Episódio expõe o modus operandi do movimento, que abriga pré-candidatos que defendem abertamente a descriminalização do racismo e da homofobia.
Oecossistema político do Movimento Brasil Livre (MBL) e do recém-criado Partido Missão está no centro de uma nova denúncia de discurso de ódio. O comentarista político e marqueteiro Eduardo Bisotto, figura atrelada ao grupo, é acusado de racismo contra Vinicius Junior. Em um vídeo que foi rapidamente retirado do ar de seu canal no YouTube, Bisotto utiliza o termo “mono”, que significa macaco, em espanhol, para se referir ao camisa 7 do Real Madrid e da Seleção Brasileira.
O trecho do ataque foi resgatado e passou a viralizar nas redes sociais nesta quinta-feira (11). Na gravação, ao comentar o desempenho esportivo e a postura do atleta, Bisotto dispara de forma pejorativa: “O mono…”. O uso da injúria ecoa os mesmos ataques criminosos que Vini Jr tem enfrentado sistematicamente em estádios europeus.

Frame reprodução YT
O link original da transmissão, que estava hospedado no canal oficial de Eduardo Bisotto, foi privado ou excluído logo após a repercussão negativa começar a ganhar tração (https://www.youtube.com/watch?v=f6eQxjOZXRI). Até a publicação desta reportagem, o marqueteiro não veio a público se explicar.
O modus operandi do MBL e o Partido Missão de Eduardo Bisotto
Nas redes sociais, Bisotto não esconde sua atuação orgânica junto à cúpula do MBL. Ele trabalha diretamente na engrenagem de comunicação do grupo e faz parte da base de apoio de Renan Santos, fundador do MBL e atual presidente nacional do Partido Missão.
Registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 14, o Partido Missão foi criado para ser a nova vitrine eleitoral do movimento visando 2026. Como a Fórum vem cobrindo sistematicamente, a fundação da sigla tenta repaginar velhos quadros da extrema direita sob o verniz de uma “nova política”, mas esbarra constantemente na radicalização de sua própria base.
“Racismo não tem que ser crime”: o pensamento do grupo
O ataque de Bisotto contra o maior símbolo global da luta antirracista no futebol atual não é um raio em céu azul. O vocabulário e a postura do comentarista convergem com o que pensam outras figuras proeminentes do Partido Missão.
Com a repercussão do caso de Vini Jr, internautas resgataram uma postagem emblemática de “Engenheiro Leo”, membro da “Missão SP” e pré-candidato a deputado estadual pelo mesmo partido. Em novembro do ano passado, ele publicou uma defesa explícita da impunidade para crimes de ódio.
“Injúria, racismo e homofobia não tem que ser crime! Mas o brasileiro é infantil demais para entender isso!”, escreveu o político em sua conta no X.
A justaposição dos dois casos evidencia uma linha auxiliar perigosa dentro do MBL e do Partido Missão: enquanto lideranças tentam vender moderação institucional na grande mídia, a base atua nas redes sociais testando os limites da lei, relativizando a injúria racial e tratando o racismo como mera “liberdade de expressão”.
Injúria racial é crime inafiançável
Diferente do que prega a base do MBL, o ordenamento jurídico brasileiro é taxativo. Desde a sanção da Lei 14.532/2023, a injúria racial foi definitivamente equiparada ao crime de racismo.
Isso significa que ofensas baseadas em raça, cor, etnia ou procedência naciona, como chamar um homem negro de “mono”, são crimes inafiançáveis e imprescritíveis no Brasil, com pena que pode chegar a até cinco anos de reclusão. O Ministério Público costuma ser acionado para investigar casos de repercussão na internet, mesmo quando os autores tentam apagar as provas digitais.
O espaço da Fórum segue aberto para manifestação de Eduardo Bisotto, do Engenheiro Leo e da direção nacional do Partido Missão




