O falso poder que alimenta o ciclo da violência doméstica no interior de Alagoas
Os episódios registrados no último fim de semana em Arapiraca, Palmeira dos Índios e Minador do Negrão desenham um retrato falado e doloroso da violência doméstica em nossa sociedade: o agressor que se apoia em uma falsa sensação de impunidade, seja por abuso de substâncias, pela crença em influências políticas ou pela audácia de desafiar as leis e as forças de segurança.
Em Arapiraca, no bairro Verdes Campos, um homem foi preso em flagrante após agredir a companheira e ameaçar matá-la junto com o irmão. O caso, recorrente na vida da vítima, ganhou contornos ainda mais graves quando o agressor tentou intimidar a Polícia Militar utilizando uma velha e vergonhosa tática: a “carteirada”. Frases como “Vou caçar vocês!” e “Tenho conhecimento com tenente, capitão, juiz e promotor” revelam a tentativa desesperada de usar supostas influências para se colocar acima da lei. A resposta do Estado foi clara: o homem terminou atrás das grades, aguardando a audiência de custódia. O crime não escolhe sobrenome, e as instituições não servem de escudo para abusadores.
A poucos quilômetros dali, em Palmeira dos Índios e Minador do Negrão, o desafio se manifestou de outra forma: o desrespeito flagrante às Medidas Protetivas de Urgência (MPU). As ferramentas criadas pelo Judiciário para salvar vidas continuam sendo testadas por ex-companheiros que se recusam a aceitar o fim do ciclo de abusos.
Na zona rural de Palmeira dos Índios, um homem que violou a restrição fugiu ao saber que a polícia havia sido chamada, mas acabou localizado e preso próximo à rodovia AL-110. Já em Minador do Negrão, o cenário beirou o absurdo: após agredir a ex-companheira e depredar a residência, o agressor fugiu saltando pelos telhados das casas vizinhas para escapar do flagrante.
Esses casos deixam lições urgentes. A violência contra a mulher não é um problema privado; é uma chaga pública que exige a atuação firme das forças policiais, o rigor do Judiciário e a coragem da denúncia. Quem agride e ameaça, seja se escondendo atrás de supostos contatos importantes ou fugindo por telhados, precisa entender que a Justiça alcança a todos. A proteção das mulheres alagoanas não pode ceder diante de intimidações.
Redação




