Messi se encontra e faz foto com radical de extrema direita que propaga ideias fascistas

Astro argentino posou ao lado do extremista espanhol Javier Negre, uma das figuras mais abjetas da movimento ultrarreacionário internacional

Uma imagem publicada na rede social Instagram em 4 de julho deste ano, em meio à Copa do Mundo, começou a provocar forte repercussão internacional e a levantar questionamentos profundos sobre o entorno de um dos maiores atletas da história. O astro argentino Lionel Messi encontrou-se e deixou-se fotografar sorridente ao lado de Javier Negre, um extremista de origem espanhola conhecido por sua atuação agressiva nas redes e na engrenagem da extrema-direita global.

O registro gerou perplexidade imediata. Nos bastidores e entre analistas de mídia, debate-se se a aproximação ocorreu por completo desconhecimento do craque e de sua assessoria, hipótese difícil de acreditar, dado o forte aparato de segurança e blindagem de imagem que cerca o jogador, ou se ele simplesmente não viu problemas em posar ao lado de um ultrarradical cuja trajetória é marcada pela pregação aberta de racismo, machismo, misoginia e ataques contra minorias e pessoas com deficiência.

Quem é Javier Negre, o extremista na foto com Messi

Para além do ecossistema digital onde opera, Javier Negre acumula um histórico denso de controvérsias judiciais, demissões por falta de ética e ativismo político radical. Ele é dono de 50% do portal La Derecha Diario, veículo que expandiu fortemente sua atuação na América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, e que é amplamente reconhecido por publicar desinformação e ataques sistemáticos a minorias, pautas de gênero e opositores de esquerda.

No comando desse portal, Negre tem como sócio o argentino Fernando Cerimedo, fundador do site e conhecido estrategista digital de Javier Milei e da família Bolsonaro. No Brasil, Cerimedo chegou a ser investigado pela Polícia Federal no inquérito que apurou a tentativa de golpe de Estado de 2022/2023 devido à propagação de desinformação contra o sistema eleitoral.

A atuação de Negre na Espanha, seu país natal, foi interrompida no jornalismo tradicional após um escândalo ético e jurídico. Ele foi demitido do prestigiado jornal de direita El Mundo após a Justiça espanhola condená-lo por inventar uma entrevista com uma vítima de violência doméstica, utilizando inclusive a foto da mulher sem consentimento e violando seu direito à honra e à intimidade.

Máquina de fakes e pedido de prisão em 2026

Especializado no que analistas chamam de “guerra cultural” e “máquina de fakes”, Negre utiliza canais como a EDA TV para monetizar campanhas coordenadas contra governos progressistas e prestar apoio a candidatos ultrarreacionários pelo mundo. Seu comportamento agressivo nas redes, contudo, cruzou definitivamente a linha criminal recente.

Em abril de 2026, a Promotoria (Fiscalía) da Espanha pediu formalmente a condenação e uma pena de 1 ano e meio de prisão para Javier Negre (além de 2 anos para seu repórter, Vito Quiles). Ambos respondem por crime contra os direitos fundamentais e integridade moral, após gravarem e divulgarem um vídeo em que expõem, ridicularizam e humilham uma mulher com 75% de deficiência intelectual durante uma manifestação política em Madrid.

Essa não é a única pendência do ativista com os tribunais. Negre acumula múltiplas condenações na Espanha por difamação, calúnia, injúria e recusa em publicar direitos de resposta legítimos. A Agência Espanhola de Proteção de Dados (AEPD) também já aplicou pesadas multas contra suas plataformas por uso ilegal de dados pessoais e exposição indevida de terceiros, incluindo menores de idade.

Ao aceitar o registro e estampar um sorriso ao lado de uma das figuras mais processadas e condenadas do extremismo europeu, Messi vincula, de forma voluntária ou por extrema negligência de sua equipe, sua imagem global a um ecossistema que sobrevive do discurso de ódio e da destruição de reputações.

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