Genro do finado Silvio Santos, Fabio Faria é mais um ex-ministro de Bolsonaro envolvido na teia do caso Master. Conhecido como “o cara do Vorcaro”, ele aparece em troca de mensagens convidando autoridades para festa com modelos dada pelo banqueiro.
Com manifestações discretas de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais, Fábio Faria (PP-RN) é mais um ministro do ex-governo Jair Bolsonaro (PL) que surge na teia de conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) nos celulares de Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master.
Reportagem de Mino Pedrosa, no site Fatos Online, na última segunda-feira (3) revela uma conversa íntima do genro do finado Silvio Santos, dono do SBT, acertando detalhes de uma festa para políticos e autoridades que seria patrocinada pelo dono do Banco Master.
Na troca de mensagens, em outubro de 2024, Faria revela que entre os convidados estavam listados Davi Alcolumbre (União-AP) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente e ex-presidente do Senado Federal, e até o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que já se julgou parcial nas investigações sobre o banqueiro.
“Davi e Pacheco fechado pra terça”, “Chamei o Toffoli tb”, escreve Faria a Vorcaro no dia 24 de outubro de 2024, antes de revelar uma das preferências do atual presidente da Câmara sobre as garotas estrangeiras que estariam sendo contratadas pelo banqueiro – veja a troca de mensagens no Fatos Online.
“Davi está louco perguntando se as suíças vão vir. Se der, vamos trazer”, diz Faria, avisando que “na segunda quero ir lá no banco com meus sócios do escritório”. Vorcaro confirma, para a alegria do presidente do Senado: “Virão sim”.
No dia seguinte, Faria avisa que “Toffoli vai tentar [ir à festa] porque preside a sessão na terça”. Vorcaro, então pergunta sobre o “amigo da vida”, Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil e presidente do Progressistas. “Ciro não?”. “Vai viajar”, responde Faria.
Vorcaro ainda pede para chamar MV, recebendo resposta positiva de Faria, que lamenta: “Ia chamar o Arthur Lira mas não pode ser junto com o Pacheco”, sobre o político do PP de Alagoas, ex-presidente da Câmara. “Na próxima chamamos ele porque ele gosta muito”, emenda o ex-ministro das Comunicações de Bolsonaro.
“O cara do Vorcaro”
Nesta quarta-feira (5), reportagem de Breno Pires e João Batista Jr, revista Piauí faz novas revelações sobre a atuação de Fábio Faria, que passou a ser conhecido como “o cara de Vorcaro”, pela atuação como lobista na teia do Banco Master.
A reportagem da piauí revela que a aproximação entre Fábio Faria e Daniel Vorcaro começou após a saída do ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, em 2022. Com amplo trânsito em Brasília e no mercado financeiro, Faria teria se tornado um dos principais interlocutores do dono do Banco Master junto a autoridades, empresários e agentes públicos, a ponto de ser identificado no círculo do banqueiro como “o cara do Vorcaro”.
Segundo a revista, o ex-ministro colocou a rede de contatos construída durante sua passagem pelo governo a serviço dos interesses de Vorcaro, abrindo portas em Brasília justamente quando o Banco Master enfrentava questionamentos regulatórios e o empresário buscava ampliar sua influência política e econômica. A atuação extrapolava a amizade e assumia características típicas de lobby, aproximando o banqueiro de figuras estratégicas do poder.
A relação também foi consolidada por uma série de negócios privados. O mais relevante deles envolveu a venda, por Faria, de um projeto de geração de energia eólica localizado no Rio Grande do Norte para uma empresa ligada ao grupo de Vorcaro. A operação foi fechada por R$ 67,5 milhões e incluiu a transferência de um apartamento de alto padrão como parte do pagamento. A empresa compradora passou a ser alvo de investigações por supostamente integrar a estrutura patrimonial utilizada pelo banqueiro.
A reportagem mostra ainda que Faria se transformou em uma peça-chave na estratégia de expansão de influência de Vorcaro. Mais do que um parceiro comercial, passou a atuar como facilitador de contatos políticos e empresariais, usando o capital político acumulado como ministro e integrante de uma família tradicional da política potiguar para aproximar o banqueiro de autoridades e lideranças do mercado.
As revelações reforçam a tese de que Daniel Vorcaro buscou construir uma rede de proteção política paralela aos negócios do Banco Master. Nesse contexto, Fábio Faria aparece não apenas como ex-ministro ou empresário, mas como um operador de influência capaz de converter relações construídas no governo Bolsonaro em ativos privados para o banqueiro.





