Boa tarde, alagoanos e alagoanas! Aqui quem fala é Fernando Valões, transmitindo diretamente da Praça Dom Pedro II, onde está situado o prédio da Assembleia Legislativa de Alagoas. Hoje é sexta-feira, 13 de setembro de 1957. São exatamente 14 horas e 20 minutos. Lá dentro, o plenário ainda está vazio. Aqui do lado de fora, trabalhadores da indústria e do comércio se concentram contra o impeachment do governador Muniz Falcão.
Policiais militares e soldados do Exército fazem a guarda da praça. É importante lembrar aos nossos ouvintes que o processo de impeachment do governador Muniz Falcão partiu de empresários do comércio, da indústria e de usineiros, que conseguiram reunir 22 dos 35 deputados estaduais para a votação. E atenção, ouvintes! Acabo de observar a chegada dos primeiros deputados. Chega agora Claudenor de Albuquerque Lima, de Arapiraca, portando uma metralhadora e vestido com uma capa de chuva. Ele é favorável ao governador. Ouvintes de Santana do Ipanema, acaba de passar por aqui o deputado Siloé Valeriano Tavares.
Desceu rapidamente do seu carro e entrou na Assembleia. E está passando agora outro santanense, o deputado Aderval Wanderley Tenório, também portando uma metralhadora. Vou entrar rapidamente para o plenário. Da janela do primeiro andar, consigo observar uma servidora da Casa, taquígrafa, olhando atentamente para os militares posicionados nos prédios próximos. E atenção: foram colocados sacos de areia para dividir os grupos de deputados dentro do plenário. #Alagoas #HistóriaDeAlagoas #AssembleiaLegislativa #TiroteioNaAssembleia #MunizFalcão #HumbertoMendes #Impeachment #PolíticaAlagoana #MemóriaDeAlagoas #Maceió #HistóriaDoBrasil #FernandoValões #ALEAL De um lado estão os 13 deputados da situação: Jorge Assunção, João Bezerra, Antônio Moreira, Abrahão Moura, Claudenor de Albuquerque Lima, Luiz Gaia, Ramiro Pereira, Humberto Mendes, Ulisses Botelho, Luiz Coutinho, Augusto Machado, Aderval Tenório e Luiz Rezende. Do outro lado, estão os 22 deputados da oposição: Antônio Gomes de Barros, Carlos Gomes de Barros, Teotônio Vilela, Júlio França, Mário Guimarães, Geraldo Sampaio, Siloé Tavares, Oséas Cardoso, Otacílio Cavalcante, Virgílio Barbosa, José Onias, Lamenha Filho, Machado Lobo, Edson Lins, Herman Almeida, Arnaldo Paiva, João Toledo, Manoel Borges, José Affonso, Antenor Claudino, Antônio Malta e Antenor Serpa.
EITA! OUVINTES! UMA RAJADA DE METRALHADORA! O primeiro a disparar foi Claudenor de Albuquerque Lima! Meu Deus! A situação acaba de ficar completamente fora de controle! São tiros de todos os calibres! Depois de aproximadamente 30 minutos de intenso tiroteio, consegui encontrar um cantinho aqui embaixo de uma mesa para me proteger. O barulho dos tiros é assustador! Mas, atenção, ouvintes! Parece que os deputados resolveram finalmente fumar o cachimbo da paz. Olhem! Dois deputados acabam de sair de trás dos móveis: Edson Lins e Machado Lobo. Mas há um homem ferido aqui! Está sendo amparado neste momento… É o deputado Virgílio Barbosa!
E atenção, ouvintes: também temos profissionais da imprensa feridos. As imagens são do jornalista piauiense José Medeiros, da revista O Cruzeiro. E acaba de entrar no local o companheiro da imprensa, Márcio Moreira Alves, do Correio da Manhã.. Os militares do Exército acabam de entrar na Assembleia para socorrer os feridos. Eles serão levados para o Hospital Geral. E atenção! Observo agora o deputado Humberto Mendes. Ele foi atingido… Humberto Mendes está morto! Ele era sogro do governador Muniz Falcão. Antes da sessão, Humberto Mendes chegou a pedir ao genro que sua bancada não comparecesse à votação. Mas ele foi. E existe um detalhe impressionante: o palmeirense Humberto Mendes teria passado antes por uma funerária e encomendado 22 caixões. E, ouvintes, uma informação importante: Da bancada de oposição, nenhum deputado morreu. Este episódio ficou marcado como o primeiro processo de impeachment de um governador no Brasil concluído com a votação de seu afastamento.
Muniz Falcão, acompanhado de sua esposa, Alba Mendes, filha do deputado Humberto Mendes, deixou o Palácio do Governo no dia seguinte, quando os deputados votaram o impeachment em uma sessão realizada no prédio da Secretaria Estadual de Educação. Meses depois, porém, Muniz Falcão retornaria ao Governo de Alagoas. E agora vamos ouvir o que disse o procurador da Assembleia Legislativa, o advogado doutor Mendes de Barros. — Doutor Mendes, que coisa feia aconteceu hoje à tarde na Assembleia Legislativa! Deputados se enfrentando à bala… Esse é um serviço de um Parlamento? Muito obrigado, doutor Mendes de Barros. E agora eu volto o som para o estúdio. Apoio técnico: Miguel Rian. Aqui falou Fernando Valões, diretamente de Maceió, em uma transmissão histórica para o rádio. Até outra oportunidade, se Deus quiser. Um abraço para todos os nossos ouvintes!
Redação com Fernando Valões




