Grupo, que teria ligação com facção do Complexo de Israel, movimentou mais de R$ 100 milhões em quatro anos, segundo as investigações
A ação acontece em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e tem como alvo uma organização que, segundo as investigações, atuava em favor de uma facção criminosa presente no chamado Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
Ao todo, são cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em diferentes pontos do estado. Na capital, os agentes estão em endereços na Barra da Tijuca, Copacabana, Parada de Lucas e Vila da Penha. As diligências também ocorrem em Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou medidas cautelares contra investigados ligados à estrutura financeira e patrimonial da organização. Alguns dos alvos serão submetidos a monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira.
As apurações foram conduzidas pelo Grupo de Investigações Sensíveis da Polícia Federal no Rio de Janeiro e pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ. De acordo com os investigadores, a quadrilha mantinha um núcleo responsável pela obtenção, transporte e revenda clandestina de armamentos.
Entre os materiais comercializados estavam fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. Em uma das negociações identificadas durante as investigações, os integrantes teriam fornecido dez fuzis AR-15 diretamente à principal liderança da facção criminosa que atua no Complexo de Israel.
A PF também identificou a participação de agentes da segurança pública no esquema. Entre os envolvidos estão um policial civil, um policial militar da ativa e ex-policiais. Conforme as investigações, os agentes utilizavam o acesso funcional a sistemas restritos da Administração Pública para consultar e repassar informações sigilosas aos integrantes do grupo.
Entre os dados obtidos estavam mandados de prisão em aberto, endereços, registros de veículos e informações sobre alvos de operações policiais em andamento. Segundo a PF, o material era utilizado para alertar integrantes da organização sobre ações das forças de segurança e evitar possíveis prisões. As informações também seriam empregadas em investigações clandestinas relacionadas à extorsão e à obtenção de dinheiro.
Ainda conforme a Polícia Federal, os integrantes da organização recebiam fuzis e equipamentos policiais como forma de comissão ou pagamento pelas negociações envolvendo o armamento.
A investigação apontou também um esquema de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos valores obtidos com as atividades criminosas. Os operadores teriam movimentado mais de R$ 100 milhões ao longo de quatro anos, utilizando contas pessoais e empresas de fachada. Para a PF, o volume financeiro era incompatível com as rendas declaradas pelos investigados.
Os envolvidos foram denunciados pelo MPRJ e poderão responder, de acordo com a participação de cada um, por organização criminosa armada, comércio ilegal de armas de fogo e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de capitais. Outros crimes ainda podem ser identificados durante o andamento das investigações.







