Polícia realiza megaoperação para prender 96 PMs

Militares eram lotados no 7º BPM (São Gonçalo) entre 2014 e 2016 e são acusados de receber propina, além de venda de armas para 41 comunidades

Rio – A Divisão de Homicídios de Niterói, ltaboraí e São Gonçalo realiza na manhã desta quinta-feira a Operação Calabar, com objetivo de cumprir mandados de prisão contra 96 PMs e 70 acusados de envolvimento com o tráfico de drogas. Os militares eram lotados no 7º BPM (São Gonçalo) entre 2014 e 2016 e são acusados de receber propina, que era chamada por eles de “meta”, além de venda de armas para 41 comunidades, entre elas Salgueiro, Santa Luzia, Santa Izabel, Jóquei, Jardim Catarina, Ocupação Coruja e Alto dos Mineiros, todas naquele município.

O cabo Fernando Cataldo Cortes foi preso em casa por volta das 6h20, em Icaraí, bairro da Zona Sul de Niterói. Outro PM foi preso em Nova Friburgo, na Região Serrana. Os mandados de prisão e busca e apreensão para casas dos militares e unidades onde eles estão lotados atualmente – já que foram transferidos para outras unidades durantes as investigações – foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de São Gonçalo e Auditoria da Justiça Militar.

Os policiais envolvidos atuavam nos Grupos de Ações Táticas (GAT’s); Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO’s), Serviço Reservado (P-2) e patrulhamento do 7º BPM.

A proprina era paga semanalmente perto do batalhão do município e até em DPO’s. No DPO do Jardim Catarina o repasse, de R$ 150 a R$ 200, era feito sempre da madrugada ou pela manhã, através de lançamento do maço de notas pela janela do destacamento.

O início do inquérito na DH começou com a prisão de um traficante que decidiu delatar o esquema. Gravações telefônicas e imagens de vídeos com os policiais recebendo propina também foram incluídas no processo.

Os policiais presos irão responder pelos crimes de organização criminosa armada com a participação de funcionário público (pena de 3 a 8 anos), corrupção passiva (de 2 a 8 anos) e fornecer arma de fogo (de 3 a 6 anos).

A Operação Calabar coloca novamente o batalhão de São Gonçalo na berlinda. A juíza Patrícia Acioli foi executada na porta de casa com 21 tiros em agosto de 2011, em Niterói, por policiais do 7º BPM. A magistrada atuou em diversos processos em que os réus eram policiais militares envolvidos em mortes de suspeitos durante confronto.

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