‘A taxa das blusinhas é responsabilidade dos governadores, não do Lula’, diz Haddad

“A taxa das blusinhas não foi uma criação do governo do presidente Lula, mas dos governadores”, afirmou o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, em entrevista ao ICL Notícias 1ª edição desta quinta-feira (2). Ele destacou que todos os governadores concordaram com a cobrança sobre pequenas importações para combater o contrabando e que a aprovação foi unânime no Congresso Nacional.

“Todos os governadores passaram a cobrar a taxa das blusinhas, inclusive aqui de São Paulo. E a direita não reclama dele. Então, não entendo por que isso ficou marcado como se fosse decisão do Executivo federal”, complementou.

Haddad criticou o que considera desinformação eleitoral sobre o tema, ressaltando que a medida foi resultado de pressões do varejo brasileiro, que enfrentava concorrência desleal de importações baratas, e não de uma decisão do Executivo federal.

“Diante da pressão do varejo brasileiro – o ‘velho’ da Havan [refere-se ao empresário Luciano Hang], o cara da Riachuelo [Flávio Rocha], todos bolsonaristas – os governadores decidiram cobrar a taxa. Foi uma defesa do varejo brasileiro porque as lojas estavam fechando, feiras do Nordeste estavam vazias. A concorrência estava descalibrada e o varejo reagiu, sem eu acusar ninguém de má fé”, disse.

A partir desse pleito, segundo Haddad, “a decisão foi 100% aprovada por todos os partidos no Congresso Nacional”. “A tal da ‘taxa das blusinhas’ teve apoio total [do Congresso]”, disse.

“É engraçado que até nosso campo desinforma, perguntando se estou arrependido de uma decisão que não tomei. Por que não perguntam para os governadores? A narrativa foi usada politicamente, mas a verdade é que foi uma medida de proteção econômica, não uma decisão pessoal do presidente Lula ou minha”, frisou.

Atuação da Receita

O ex-ministro também comentou medidas da Receita Federal durante seu período à frente da pasta, elogiando o uso de inteligência para desbaratar esquemas de corrupção e contrabando. “A Receita Federal desbaratou a máfia dos combustíveis e outros esquemas com inteligência, sem disparar um tiro, sem fuzil”, disse Haddad, destacando a diferença entre operações inteligentes e ações militares ou policiais.

Haddad sugeriu que práticas semelhantes poderiam ser aplicadas no combate a fraudes e manipulações em redes sociais, evidenciando a necessidade de modernizar as ferramentas de fiscalização e controle.

Evolução no enfrentamento das fake news

Questionado sobre a gestão de informações falsas e apostas ilegais (bets), Haddad afirmou que houve avanços significativos desde 2018, mas que ainda existem desafios: “Houve uma evolução no combate a esse tipo de prática, mas estamos longe do ideal”, disse.

Ele lembrou a adoção de mecanismos de proteção de menores e autoexclusão de apostadores, além do acompanhamento do Ministério da Saúde para prevenir dependência de jogos de azar.

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