Brasileira enquadra Eduardo Bolsonaro nos EUA e vídeo viraliza: “fugitivo”

A turismóloga relatou que o confronto aconteceu durante a manhã e que, após a troca de provocações, retornou ao grupo de brasileiros que participava da mobilização em apoio a Lula

A turismóloga pernambucana Maria Eugênia Carvalho, de 61 anos, confrontou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) durante a votação do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25), em Miami, nos Estados Unidos. Ao encontrar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma seção eleitoral, a brasileira gritou “Eduardo fugitivo” e “volta para o Brasil”. A discussão foi registrada em vídeo e ganhou repercussão nas redes sociais.

O episódio ocorreu no Miami Dade College, na Flórida, onde Eduardo Bolsonaro acompanhava um grupo de apoiadores. Maria Eugênia participava de uma mobilização em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo.

A brasileira, que vive nos Estados Unidos há oito anos com o marido, um jornalista, relatou que já havia votado quando encontrou o ex-parlamentar. Ela permaneceu nas proximidades da seção eleitoral para acompanhar e oferecer apoio a outros brasileiros que preferiam não comparecer sozinhos ao local de votação.

Em entrevista ao g1, Maria Eugênia afirmou que estava mobilizada politicamente desde a véspera da eleição e decidiu abordar Eduardo ao ouvi-lo fazer acusações contra Lula.

“Eu não dormi do sábado para o domingo com medo. Estava na mobilização incrível com o ‘Exército de Lula’, comandado por Janones, estava muito instigada, com adrenalina danada, e, quando eu vi aquele cara, na minha frente, de frente para um fugitivo, chamando Lula de ladrão, eu disse: ‘ah, não, eu vou lá’”, contou.

Nas imagens divulgadas na internet, a pernambucana aparece caminhando em direção ao grupo do ex-deputado e cobrando seu retorno ao Brasil. A manifestação provocou reações de eleitores presentes, incluindo apoiadores da família Bolsonaro, que responderam aos gritos e também pediram que ela voltasse ao país.

Segundo Maria Eugênia, Eduardo reagiu à abordagem com gestos que ela interpretou como provocação. “Ele fez coraçãozinho pra mim. Aquela arrogância”, disse.

Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão

O confronto ocorreu em meio à situação judicial do ex-parlamentar, que vive nos Estados Unidos desde o início de 2025. Eduardo Bolsonaro teve o mandato de deputado federal cassado por excesso de faltas e, em junho de 2026, foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado que resultou na condenação de Jair Bolsonaro.

A situação judicial do ex-deputado foi o principal motivo das cobranças feitas pela pernambucana durante o encontro. Ao chamá-lo de “fugitivo”, Maria Eugênia fez referência à permanência de Eduardo em território norte-americano.

O episódio ocorreu dois dias antes da publicação da entrevista, em um ambiente marcado pela mobilização de eleitores brasileiros que compareceram às urnas para escolher o presidente da República.

Pernambucana diz que não teve medo de confronto físico

Apesar da discussão e das reações contrárias de apoiadores do ex-deputado, Maria Eugênia afirmou que não temeu sofrer agressões. Ela atribuiu essa sensação à presença de policiais nas proximidades do local de votação.

“O policiamento é muito grande. Tanto que, no vídeo, você vê o policial olhando, mas eles não podem tocar em mim. Diferente do Brasil, que tem uma agressão física, aqui ninguém pode tocar em você. Então, assim, eu estava muito tranquila”, disse.

A turismóloga relatou que o confronto aconteceu durante a manhã e que, após a troca de provocações, retornou ao grupo de brasileiros que participava da mobilização em apoio a Lula.

De acordo com Maria Eugênia, os responsáveis pela organização da votação orientaram os participantes a se afastarem da área localizada sob o prédio onde funcionava a seção eleitoral. A recomendação foi que permanecessem no estacionamento, com o objetivo de evitar novos desentendimentos.

A gravação do episódio passou a circular nas redes sociais em meio à repercussão da vitória de Lula no segundo turno, realizado em 25 de outubro. O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, derrotando Flávio Bolsonaro, candidato do PL.

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