Menina de seis anos de idade ainda não sabe que o pai foi preso
imigrante brasileiro Bruno Guedes da Silva foi detido pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, o ICE, em Pittsburgh, na Pensilvânia.
Bruno e a esposa estavam em um automóvel depois de deixar a filha numa escola primária quando quatro homens fizeram a abordagem.
A notícia recebeu atenção da mídia local: ICE prende brasileiro ganhou atenção por causa das circunstâncias.
A esposa do imigrante, Ana Paula, disse que ainda não contou à filha do casal, de 6 anos de idade, que o pai está preso, porque a menina está fazendo quimioterapia. Um vizinho escolhido para ser porta-voz da família informou:
Inicialmente, ela estava sentindo muita dor no local da quimioterapia. Ela é muito apegada ao pai. Todos disseram que ele a trata como uma princesa e não queriam que ela se preocupasse com ele agora.
Maria, de 6 anos de idade, enfrenta um linfoma de Hodgkin.
Campanha bem-sucedida
Addie Sochats, uma ativista local, denunciou a detenção numa postagem no GoFundMe:
Nossa comunidade acaba de sofrer uma grande humilhação, pois uma de nossas famílias foi detida ilegalmente pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) bem em frente à Escola Primária Osborne. Apesar de estarem aqui legalmente e com a documentação em dia, o pai, Bruno, foi levado e está em um centro de detenção na Virgínia Ocidental. A mãe, Ana Paula, o filho, Breno, e a filha, Maria, ficaram para trás. Como se isso não bastasse, a aluna do ensino fundamental, Maria, está em tratamento contra o linfoma de Hodgkin pela segunda vez e recebe os melhores cuidados durante a quimioterapia no Hospital Infantil de Pittsburgh.
Com a cobertura ao caso dado pela mídia local, Addie já arrecadou mais de U$ 80 mil para ajudar a família.
Bruno segue detido na Virgínia Ocidental e a esposa Ana Paula mal tem tempo de ir ao restaurante onde ambos trabalhavam.
Acusado de crime
O ICE acusa Bruno de ter cometido o crime de transferir ilegalmente uma arma e por fazer declaração falsa às autoridades.
O ICE, por sua vez, é acusado de “prender ou matar” e depois difamar suas vítimas com o intuito de justificar suas ações.
Bruno tinha permissão para ter emprego, número equivalente ao da Previdência nos EUA e carteira de motorista.
A porta-voz do ICE disse ao jornal local que isso pouco importa:
Ele já havia sido detido pela Patrulha da Fronteira em 1º de maio de 2022, após entrar ilegalmente nos Estados Unidos e ser liberado pelo governo Biden. A autorização de trabalho não confere nenhum tipo de status legal nos Estados Unidos. Guedes da Silva permanece sob custódia do ICE, aguardando os procedimentos de imigração.
Restaurantes sob suspeita
O ICE publicou nas redes sociais uma foto de Maximiano assustado.
Semanas antes, também na região, havia sido preso outro dono de restaurante, Gil de Oliveira, que foi colocado em liberdade por um juiz federal enquanto recorre.
Na região de Massachusetts, por causa do grande número de imigrantes brasileiros, servir arroz-feijão garante renda certa, além de feijoada ou rodízio de churrasco para os estadunidenses, que não estão acostumados com fartura de carne.
No ano passado, pai e filho donos de dois restaurantes em Massachusetts foram condenados a oito e cinco meses de cadeia após admitirem participação num esquema para levar imigrantes ilegais aos EUA.
Jesse James Moraes, 67, e Hugo Giovanni Moraes, 45, donos dos restaurantes Taste of Brazil—Tudo Na Brasa e The Dog House Bar and Grill, ambos em Woburn, foram acusados de fazer “rachadinha” com o salário dos imigrantes que empregavam em seus estabelecimentos.
De acordo com a acusação:
A conspiração envolvia o recrutamento de imigrantes indocumentados no Brasil para entrarem nos Estados Unidos através do México sem autorização, em troca de taxas entre US$ 12.000 a US$ 22.000 por pessoa. Os imigrantes eram incentivados a fazer declarações fraudulentas de asilo e parentesco (por exemplo, pai e filho menor) nos Estados Unidos e recebiam informações falsas sobre os contatos nos EUA para fornecer às autoridades de imigração quando fossem detidos nos Estados Unidos.
Diferentemente do que acontecia no passado, agora os agentes de Imigração estão prendendo nas ruas, casas e mesmo diante de escolas, em geral sem avisar a polícia local.
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