Caso Master: novo relator, André Mendonça teria puxado críticas à PF em reunião sobre destino de Toffoli

Em reunião tensa, Mendonça teria sugerido que Toffoli já estava sendo investigado pela Polícia Federal sem o aval da PGR. Críticas foram avalizadas pelos outros ministros e cria clima de crise entre as instituições em torno da investigação de Vorcaro e das ações na Faria Lima.

orteado como novo relator do caso que envolve Daniel Vorcaro e o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça teria puxado críticas à atuação da Polícia Federal durante a reunião convocada pelo presidente da corte, Edson Fachin, que resultou no afastamento de Dias Toffoli, anunciado na noite desta quinta-feira (12).

Alçado por Jair Bolsonaro (PL) com a alcunha de “terrivelmente evangélico” à corte, Mendonça teria sugerido que Toffoli já estaria sendo alvo de uma investigação classificada como ilegal pela Polícia Federal. As críticas criam um clima de crise entre as duas instituições em torno das investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e o avança das ações na Faria Lima.

O novo relator do caso teria dito que o relatório de cerca de 200 páginas entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Passos, nas mãos de Fachin seria um indício de que Toffoli já estaria na mira dos investigadores. Pela Constituição, ministros do Supremo só podem ser alvos de investigação com o aval da Procuradoria-Geral da República, atualmente sob o comando de Paulo Gonet.

“Não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”, teria dito Mendonça na reunião, segundo informações divulgadas por Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

As críticas contundentes de Mendonça à PF teriam tido a concordância dos demais ministros, que acreditam que os investigadores teriam avançado o sinal ao detectar as mensagens sobre Toffoli produzindo um relatório sem consultar a PGR.

Para os ministros, ao detectar o nome de Toffoli nas conversas no celular de Toffoli, os investigadores teriam que remeter automaticamente o caso a Gonet. No entanto, eles ressaltam que a PF teria feito consultas em bancos de dados e na Receita Federal sobre a sociedade do ministro na Maridt, empresa que vendeu o resort no Paraná ao Banco Master.

Um dos ministros teria dito à jornalista da Folha que os investigadores “fizeram uma investigação à revelia do STF, e não poderiam fazer isso”.

As críticas dos ministros também foram direcionadas à PF que não entregou o “material bruto” à corte, pinçando as citações ao ministro no relatório entregue a Fachin.

Após a entrega do documento, ainda na relatoria do caso, Toffoli determinou à PF que envie ao STF os dados de todos os celulares apreendidos e periciados na investigação.

Clima tenso

Parte do documento entregue por Passos foi lido por Fachin no início da reunião, criando um clima tento entre os membros da corte. Em seguida, Toffoli fez sua defesa sobre as informações levadas a PF e insistiu em manter-se na relatoria do caso Master.

No entanto, ele teria sido convencido pelos pares principalmente devido às repercussões que o caso teria. Um dos ministros chamou a atenção para o aumento da fervura, sobre as pressões da mídia liberal e da opinião pública sobre o ministro, que seriam direcionadas a toda corte caso ele fosse mantido no cargo.

Toffoli, então, teria se convencido e dito que aceitava deixar o caso, mesmo mostrando contrariedade com a decisão.

Ao final da reunião, o ministro não escondeu seu descontentamento. Bastante irritado, ele classificou o clima da reunião como “excelente” ao ser indagado por jornalistas. E emendou: “tudo unânime”, sobre a decisão dos pares que selou sua saída da relatoria do caso Master.

Revista Forum