Alçado ao “super” Ministério da Justiça de Bolsonaro após combinar narrativas com a mídia liberal no lawfare contra Lula na Lava Jato, Sergio Moro se pronunciou após informações de que estaria por trás dos vazamentos seletivos no caso Master.
Alçado ao posto de “super” ministro da Justiça – cargo que deixou após disputa com Jair Bolsonaro (PL) por interferência na Polícia Federal para “não foder a família” no caso das rachadinhas – depois de comandar com mãos de ferro o lawfare da Lava Jato como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, o senador Sergio Moro (União-PR) cometeu um ato falho ao se pronunciar nas redes sociais sobre os vazamentos seletivos no caso Master, creditados a ala “lavajatista” da PF.
Tratado como Lava Jato 2.0 após André Mendonça assumir a relatoria, as investigações sobre o caso Master têm seguido o mesmo modus operandis da força-tarefa com vazamentos seletivos para grandes grupos de comunicação, como a Globo, para criar uma narrativa colocando integrantes do governo Lula no centro de um escândalo que envolve figuras proeminentes do bolsonarismo e do Centrão.
Na segunda-feira (9), a Fórum revelou que o delegado Thiago Marcantonio Ferreira, que tem um longo histórico de relação com a Lava Jato e passou pelo “super” Ministério da Justiça bolsonarista, ocupa um cargo central no gabinete de André Mendonça.
Nesta quarta-feira (11), Moro quebrou o silêncio, mas cometeu um ato falho em publicação na Rede X ao dizer que é acusado de “ainda” controlar a PF e o MPF, além de parte da imprensa.
“No universo da loucura do PT e de alguns advogados picaretas do clube da impunidade, eu ainda controlo a PF e o MPF. Também mando em parte da imprensa. Mais fácil criar teorias da conspiração do que admitir responsabilidades”, escreveu o senador.
Acontece que Moro, em todos os cargos que passou, nunca teve poder de comando sobre as instituições, especialmente sobre o Ministério Público Federal (MPF), embora combinasse narrativas da Lava Jato diretamente com o procurador-chefe a Força Tarefa, Deltan Dallagnol (Novo-PR).
Com mandato de deputado federal cassado pela Lei da Ficha Limpa, Dallagnol retornou à Brasília na segunda-feira e retomou a parceria com a Globo usando os vazamentos seletivos da rede de comunicação para protocolar um novo pedido de impeachment de Alexandre de Moraes, dessa vez avalizado pelo governador mineiro Romeu Zema (Novo), que começa a desembarcar da ideia de ser presidenciável e já acena para Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Lava Jato 2.0
Em meio a retomada de vazamentos seletivos pela Globo, que mira desta vez o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Deltan Dallagnol (Novo-PR) retomou a antiga parceria com jornalistas do clã Marinho e partiu logo cedo para Brasília nesta segunda-feira (9) para tentar voltar aos holofotes da política, que se apagaram com a cassação de seu mandato.
Dallagnol entrou para a política após conduzir um obscuro lawfare na Lava Jato, combinando narrativas com jornalistas da Globo e da mídia liberal, conforme foi revelado pelas mensagens no grupo Filhos de Januário, apreendidas pela Polícia Federal na Operação Spoofing.
Ele deixou o cargo quando ainda respondia a diversos procedimentos administrativos disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o que motivou a cassação de seu mandato com base na Lei da Ficha Limpa.
Em vídeo ao lado de Jeffrey Chiquini, advogado do bolsonarista Filipe Martins e pré-candidato a deputado federal, Dallagnol usa informações divulgadas por Malu Gaspar, da Globo, sobre o caso Master, que foram contestadas por Alexandre de Moraes, como fatos, mesmo que o clã Marinho não tenha apresentado provas até o momento.
“Agora vai muito além de abusos, agora a gente está falando de crimes como indícios de corrupção, de obstrução de investigação de organização criminosa, em cima não só do contrato para Viviane Barci de Moraes. Porque a questão é, qual foi a contraprestação desse contrato? R$ 129 milhões, está escancarado”, diz sobre o valor do contrato, divulgado por Malu Gaspar, e não comprovado.
Em seguida, Moraes faz sérias acusações contra o ministro do Supremno, dizendo que “que ele na verdade que era o contratado por Daniel Vorcaro”, sem apresentar provas.
“E agora há provas cautelares, há perícias da Polícia Federal. Então, o fundamento jurídico é novo com indícios claríssimos de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça”, diz Dalalgnol.
As “perícias” citadas pelo ex-Lava Jato, no entanto, são apenas citadas pelas reportagens da Globo, que diz ter ouvido a informação de “peritos da PF” em off, ou seja sem revelar quais seriam as fontes.




