Orçamento de 2026 destina R$ 61 bilhões a parlamentares em ano eleitoral, enquanto reduz recursos de programas sociais e expõe escândalos com emendas
OCongresso surgido das últimas eleições, quando aconteceu de tudo — consignados, compra de votos, até a Polícia Rodoviária Federal impedindo ônibus e caravanas de eleitores de Lula de votarem no presidente em várias áreas do Nordeste brasileiro — é um Congresso Inimigo do Povo, como temos visto nas últimas votações, como o PL da Dosimetria.
A expressão caiu na boca do povo. Prova disso é que quando se busca por “Congresso inimigo do povo” no Google aparecem 1 milhão e 710 mil referências à expressão, de tal forma está a indignação popular.
Não bastasse isso, no apagar das luzes, na votação da aprovação do orçamento do governo brasileiro para o ano que vem, o Congresso chantageou o governo e conseguiu mais quase 12 bilhões em verbas para emendas, num total de R$ 61 bilhões para eles torrarem em ano eleitoral.
Aumentaram, além disso, as verbas para as eleições. O fundo de financiamento de campanhas eleitorais, que tinha uma reserva de R$ 1 bilhão na proposta original do governo passou a R$ 4,96 bilhões após as alterações.
Não custa lembrar que distribuir e executar as verbas não são funções do Legislativo.
- Segundo a Constituição, a função do deputado federal tem duas atribuições principais, estabelecidas na Constituição: legislar e fiscalizar.
- Segundo o próprio site do Sendo, a função do senador é legislar (criar e votar leis), fiscalizar o Poder Executivo e representar os estados e o Distrito Federal no Congresso Nacional, atuando como Casa Revisora de projetos iniciados na Câmara, além de ter competências exclusivas como julgar o Presidente da República por crimes de responsabilidade e aprovar autoridades indicadas pelo Presidente (ministros do STF, diretores do Banco Central, etc.).
No entanto, eles querem verbas e conseguiram R$ 61 bilhões para o ano que vem. Pior: tirando dinheiro da Previdência Social e de programas sociais do governo.
Nesta sexta-feira (19) o Congresso Inimigo do Povo aprovou a Lei Orçamentária Anual de 2026 com uma série de cortes na Previdência e em benefícios sociais como Pé-de-Meia e Auxílio Gás para inflar emendas parlamentares em ano eleitoral.
Detalhe: isso aconteceu no mesmo dia em que, numa investigação sobre desvio de emendas parlamentares e verbas de gabinete, a Polícia Federal encontrou R$ 430 mil em notas de 100 reais num flat do deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL (Partido do ex-presidente e atual presidiário Jair Bolsonaro) na Câmara. (veja adiante)
Veja neste quadro da Folha de S. Paulo, quanto foi retirado do Orçamento:
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Os R$ 430 mil de Sóstenes
Na manhã desta quinta-feira, dia 19, a Polícia Federal em obediência a uma decisão do ministro do STF Flávio Dino encontrou num flat do deputado Sóstenes Cavalcante a quantia de R$430 mil.
A decisão do ministro Dino se relaciona ao processo dos desvios e irregularidades nas emendas parlamentares.
Denúncias de Glauber Braga contra Arthur Lira
No ano passado, o deputado Glauber Braga se ofereceu a prestar depoimento ao ministro Flávio Dino contando o que sabia das falcatruas na Câmara e que o comandante do esquema seria o deputado Arthur Lira, à época ainda presidente da Casa.
Glauber afirmou ao ministro que Arthur Lira direcionou milhões em emendas para um pequeno município de Alagoas comandando por Gilberto Gonçalves, um homem preso quatro vezes, algumas delas por corrupção.
Um corrupto tão claro que foi pego numa gravação exigindo seu dinheiro e se jactando disso, como mostra o vídeo a seguir do depoimento de Glauber. Confira:
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