Vídeo, que foi classificado como a imposição da Doutrina Donroe, em relação ao nome do atual presidente dos EUA, retoma uma antiga política imperialista que prega a submissão de países da América Latina aos interesses estadunidenses.
Ostentando o “American Way of Life”, com compras de fuzis e armamentos após receber o green card, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) celebrou nas redes sociais na manhã desta quarta-feira (12) o vídeo divulgado no dia anterior pelo Departamento de Estado dos EUA em que o governo Donald Trump reafirma a Doutrina Monroe e declara que o “domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.
O vídeo, que foi classificado como a imposição da Doutrina Donroe, em relação ao nome do atual presidente dos EUA, retoma uma antiga política imperialista que prega a submissão de países da América Latina aos interesses estadunidenses.
No corte divulgado por Eduardo Bolsonaro, o secretário de Estado, Marco Rubio afirma que “no hemisfério ocidental pela primeira vez em 15, 20 anos, a esmagadora maioria dos países agora são liderados por líderes pró-americanos”.
“2026: the Brazil turn”, escreveu Eduardo na publicação, desejando a eleição do irmão Flávio Bolsonaro (PL) para submeter também o Brasil aos interesses dos EUA.
A medida anunciada pelos EUA se alinha ao conluio com o clã Bolsonaro para interferência nas eleições brasileiras. Eduardo tem sido o principal articulador do irmão, Flávio Bolsonaro, que já entregou um documento ao governo Trump se comprometendo a entregar o país – e as riquezas, especialmente petróleo e terras raras – aos trustes transnacionais sediados nos EUA caso seja eleito.
Para cooptar o Brasil na gama de países com presidentes submissos aos interesses dos EUA, Trump tem feito eco à narrativa de perseguição ao clã Bolsonaro, levantou tarifas contra o país e chegou a enviar dois diplomatas para atacar as urnas eletrônicas – que foram barrados pelo governo brasileiro.
Doutrina Donroe
O vídeo publicado pelo Departamento de Estado não deixa margem para interpretação: “A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, diz a legenda da postagem oficial na conta @StateDept. A gravação percorre mais de duzentos anos de história para chegar a uma conclusão presente: o Hemisfério Ocidental é, na visão de Washington, área de primazia inquestionável dos Estados Unidos.
A declaração não é um gesto isolado. Ela ocorre num contexto de tensões diplomáticas e comerciais em escalada entre Washington e países da América Latina, incluindo o Brasil, parceiro histórico hoje em rota de colisão com a administração Trump. A escolha do momento e do formato, um vídeo institucional distribuído em rede social, sinaliza que a mensagem é tanto para governos da região quanto para a opinião pública global.
A publicação do vídeo não foi coincidência de calendário. Ela veio um dia depois de a China solicitar participação nas consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Pequim afirmou ter “interesse comercial substancial” na disputa. O Brasil havia protocolado o pedido de consultas na OMC em 27 de julho. A sequência de eventos compõe um quadro em que Washington vê sua influência econômica e política na região sendo disputada em múltiplas frentes.
A relação entre Brasília e Washington atravessa um dos períodos de maior desgaste em décadas. As divergências acumulam camadas políticas, judiciais e comerciais, e incluem a revogação, pelos EUA, do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida ocorreu enquanto o governo brasileiro ainda não havia aprovado a indicação de Daniel Perez, aliado do secretário de Estado Marco Rubio, para o posto de embaixador americano no Brasil. Autoridades norte-americanas acusam Brasília de adotar medidas contra grupos conservadores; o governo brasileiro rejeita o que considera ingerência interna.
Em maio aos ataques, Rubio e Donald Trump buscam interferir diretamente nas eleições presidenciais brasileiras. A ação ganhou força após Flávio Bolsonaro apresentar uma carta e ter uma reunião reservada na Casa Branca se comprometendo a submeter o Brasil aos anseios dos EUA.
É nesse cenário que ganha sentido o apelido cunhado pelo jornal The New York Times para a política de Trump na região: “Doutrina Donroe”, combinação dos nomes Donald e Monroe. Em dezembro do ano passado, o governo Trump divulgou sua nova Estratégia de Segurança Nacional, que afirma explicitamente a intenção de “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental”. A doutrina, portanto, não é apenas referência histórica no discurso de Trump: é diretriz de governo formalizada em documento oficial.




