Mensagens revelam interação de Viviane Barci com empresa que administrava frota de Daniel Vorcaro
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, cancelou o agendamento de viagens em um jato e em um helicóptero de propriedade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro logo após a divulgação da notícia de sua prisão. O cancelamento das reservas ocorreu na manhã do dia 18 de novembro do ano passado, poucas horas depois de Vorcaro ter sido detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava fugir para o exterior, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.
A reconstituição detalhada das trocas de mensagens via WhatsApp entre a advogada e funcionários da Prime You — empresa responsável pela gestão das aeronaves das quais Vorcaro era sócio — mostra que a reserva havia sido realizada com quase um mês de antecedência. Em 24 de outubro, às 21h25, a advogada havia solicitado o agendamento do jato Embraer Legacy 650 (prefixo PP-NLR) para o trajeto de Brasília a São Paulo, e de um helicóptero Eurocopter EC-155 para a rota entre São Paulo e Campos do Jordão, onde pretendia passar o feriado do Dia da Consciência Negra.
Na mensagem enviada para a equipe de atendimento da Prime You, onde figurava cadastrada com a identificação “Sra. Viviane Barci | Cotista Legacy (PP-NLR) e EC-155”, a advogada solicitou: “(…) Gostaria de agendar um helicóptero para Campos do Jordão. Saindo de São Paulo dia 20/11 às 10h e retornando no day 23/11 às 16h. 8 pessoas”.
No entanto, às 8h34 do dia 18 de novembro, poucas horas após a prisão do empresário se tornar pública, a postura da cliente mudou. Viviane enviou uma nova mensagem avisando: “Bom dia! Tudo bem? Informo o cancelamento do vôo de amanhã. Atenciosamente, Viviane”. A funcionária da empresa, Fernanda Melo, respondeu um minuto depois confirmando o procedimento: “Sra. Viviane, bom dia! Irei seguir com o cancelamento, agradeço por informar. Um ótimo dia”.
Em seguida, a advogada demonstrou hesitação e escreveu: “Fernanda, cancele o cancelamento rsrs”. Porém, apenas cinco minutos mais tarde, tomou a decisão definitiva e concluiu: “Desculpe, pode cancelar. Obrigada.”.
As conversas obtidas mostram que a comunicação entre a advogada e a equipe de logística da Prime You era frequente ao longo de 2025. Nas mensagens, ela utilizava habitualmente a primeira pessoa do plural ao solicitar os serviços de aviação executiva, sem citar o nome do marido. Em 11 de novembro de 2025, às 17h40, enviou: “Boa tarde! Temos um voo reservado para amanhã às 19h30 saindo de BSB para CGH. Conseguem antecipar para as 14h?”.
Após a funcionária Brenda confirmar a possibilidade do ajuste de horário, Viviane solicitou suporte adicional: “Caso [o pouso] seja no [aeroporto] Catarina precisaremos do helicóptero.” Diante do pedido atendido, a funcionária perguntou sobre o serviço de bordo: “Sra. Viviane, poderia me confirmar se irá querer serviço de bordo?”. A advogada pediu o menu atualizado e realizou a encomenda das refeições: “Tartar de salmão com barquetes folheadas, Caesar frango- alface romana, Torta mousse de chocolate com farofa de paçoca e americana, croutons e lascas de parmesão.” Ao final, especificou a quantidade solicitada: “Para 2 pessoas”.
Em outra ocasião, em 10 de outubro do mesmo ano, a cliente definiu a quantidade de ocupantes para um trajeto entre a capital federal e a capital paulista: “Boa tarde, serão 2 passageiros e 1 pet”.
A grande maioria dos trajetos aéreos reservados por Viviane foi realizada a bordo do Legacy 650, aeronave que pertencia oficialmente a uma das empresas de Vorcaro. O gabinete do ministro Alexandre de Moraes informou, em nota oficial, que ele “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”, embora imagens de vídeo indiquem o contrário.
Segundo investigações conduzidas pela Polícia Federal, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes havia firmado, em 12 de maio de 2025, um contrato no valor de R$ 50 milhões para prestação de serviços legais e honorários advocatícios com uma empresa vinculada ao ex-banqueiro. Esse montante somava-se a outro contrato já existente com o Banco Master, no valor de R$ 131 milhões. A apuração da PF indica que parte desse pagamento milionário seria quitada por meio de cotas de participação de uso no jato e no helicóptero citados nas mensagens.
Por sua vez, o ministro Alexandre de Moraes e a equipe de defesa do escritório de advocacia sustentam que esse segundo contrato de R$ 50 milhões jamais foi assinado ou existiu de fato.
Brasil247




