Deputado do PT diz que não teme as medidas judiciais adotadas por Alfredo Gaspar depois que o denunciou à Polícia Federal; veja vídeo
Acusado de estupro de vulnerável e pedofilia em denúncia apresentada à Polícia Federal (PF), o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) foi diretamente desafiado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) a entregar seu material genético para investigação. A declaração foi feita nesta terça-feira (31), após Gaspar anunciar medidas judiciais contra Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), em reação à notícia-crime protocolada contra ele.
No pronunciamento, Lindbergh afirmou que não se intimidará com as ações prometidas pelo parlamentar alagoano e elevou o tom das cobranças.
“Então, Sr. Alfredo Gaspar, nós não temos medo, e pare de mentir, o único jeito de você resolver esse problema é entregando o seu material genético à Polícia Federal, não é representando o DNA de um primo, de uma pessoa de vinte e tantos anos, de um assunto passado. […] A única coisa que ele pode fazer, em vez de ficar gritando, pensando que intimida as pessoas, é apresentar o seu material genético”, declarou.
Gaspar afirmou que pretende acionar o Conselho de Ética e ingressar com medidas judiciais, incluindo uma notícia-crime por coação no curso do processo e denunciação caluniosa. Foi em resposta a essa ofensiva que Lindbergh decidiu fazer o pronunciamento público.
Denúncia envolve estupro de menor e possível ocultação
A notícia-crime foi protocolada no dia 27 de março e pede investigação sob sigilo. Segundo o documento enviado à Polícia Federal, as acusações envolvem uma menina de 13 anos à época dos fatos.
De acordo com os parlamentares, a violência teria resultado em uma gravidez e no nascimento de uma criança. O registro civil não teria incluído os nomes dos pais biológicos, e há indícios de tentativa de ocultação do caso.
Ainda conforme a denúncia, existem relatos de pagamentos para garantir o silêncio e evitar que o crime fosse levado às autoridades. Entre os valores mencionados estão cerca de R$ 70 mil já pagos e negociações que poderiam chegar a R$ 400 mil.
Além do estupro de vulnerável, os parlamentares pedem apuração de fraude processual, diante de possíveis tentativas de dificultar investigações e ocultar provas.
Lindbergh reforça gravidade e diz não temer intimidação
Durante a coletiva, Lindbergh afirmou que seguirá “até as últimas consequências” e classificou as acusações como extremamente graves, rebatendo diretamente a estratégia de judicialização adotada por Gaspar.
“Ele sentiu aquele dia, ele sentiu porque ele sabe que é verdade. […] A minha preocupação é com a segurança dessas vítimas. Se acontecer alguma coisa com a criança ou com a vítima, a responsabilidade é sua, Alfredo Gaspar”, afirmou.
O deputado também criticou o que considera uma tentativa de intimidação e disse que apresentou novos elementos à Polícia Federal, incluindo gravações e documentos.
Segundo ele, o material contém indícios não apenas de estupro e pedofilia, mas também de tentativa de suborno, extorsão e corrupção.
Veja vídeo:
Polícia Federal analisa abertura de inquérito
A notícia-crime já foi encaminhada à corregedoria da Polícia Federal, que analisa se há elementos suficientes para instaurar um inquérito. Até o momento, não há investigação formal aberta.
Caso avance, a apuração poderá incluir coleta de provas digitais e financeiras, além de diligências como eventual confronto de material genético — ponto central das cobranças feitas por Lindbergh.
O pedido também inclui medidas de proteção para a vítima, a criança e testemunhas, diante dos indícios de tentativa de silenciamento.
O que diz Alfredo Gaspar
Em nota, Alfredo Gaspar negou as acusações e afirmou que adotará medidas judiciais contra os autores da denúncia:
“Ao longo de toda a minha vida pública, construí uma trajetória limpa, honrada e dentro da lei. Sempre atuei com firmeza no combate ao crime e jamais me afastei dos princípios que norteiam minha conduta.
As acusações recentemente levantadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke são falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis. Trata-se de uma tentativa clara de desviar o foco das graves investigações conduzidas pela CPMI do INSS, por meio de ataques pessoais e narrativas sem qualquer respaldo na realidade.
Não aceitarei que minha honra e minha história sejam atingidas por mentiras. Adotarei todas as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar os autores dessas acusações, inclusive no âmbito do Conselho de Ética. Estou indo na Polícia Legislativa prestar uma notícia crime por coação no curso do processo e denunciação caluniosa.
Seguirei firme, com serenidade e responsabilidade, cumprindo meu dever com a verdade e com o povo brasileiro. O Brasil merece respeito, e não será enganado por ataques desesperados.”
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