Lula e Flávio Bolsonaro seguem em empate técnico a 3 dias do segundo turno, diz pesquisa Meio/Ideia

Diferença está dentro da margem de erro e 16,3% dos eleitores ainda admitem mudar de voto antes da decisão nas urnas.. Veja os dados e a íntegra da pesquisa Meio/Ideia.

Atrês dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem em empate técnico na disputa pelo Palácio do Planalto, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (21).

No levantamento, Flávio aparece com 51,1% dos votos válidos, contra 48,9% de Lula. A diferença de 2,2 pontos percentuais está dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, o que mantém a disputa indefinida na reta final da campanha.

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Considerando os votos totais, o filho de Jair Bolsonaro registra 48% das intenções de voto, enquanto Lula soma 46%. Outros 3,4% afirmam que votarão em branco ou anularão o voto e 2,6% ainda não sabem em quem votar.

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A pesquisa mostra que, apesar da polarização e da consolidação das preferências eleitorais, ainda existe espaço para movimentações capazes de alterar o resultado das urnas.

Segundo o instituto, 16,3% dos eleitores afirmam que ainda podem mudar de voto, enquanto 83,7% dizem já ter tomado uma decisão definitiva. O percentual de eleitores dispostos a reconsiderar a escolha é expressivo diante da diferença de apenas dois pontos entre os candidatos nos votos totais.

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O levantamento ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 15 e 19 de outubro, tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08251/2026.

Lula tem ampla vantagem entre os mais pobres e trabalhadores que defendem direitos

O recorte socioeconômico da pesquisa revela uma divisão marcante entre os projetos representados pelos dois candidatos.

Entre os eleitores com renda de até um salário mínimo, Lula lidera com 61% das intenções de voto, contra 31,6% de Flávio Bolsonaro. A vantagem do petista chega a 29,4 pontos percentuais justamente na parcela mais pobre da população.

A situação se inverte nas faixas de renda mais elevadas. Entre aqueles que recebem de três a cinco salários mínimos, Flávio registra 61,1%, enquanto Lula tem 34,7%.

Um dos dados mais reveladores da pesquisa está na relação entre as expectativas dos brasileiros sobre o trabalho e suas escolhas políticas.

Entre aqueles que consideram que melhorar de vida significa trabalhar com carteira assinada e direitos garantidos, como férias, 13º salário e FGTS, 65,4% declaram voto em Lula, enquanto 30,2% preferem Flávio Bolsonaro.

Já entre os que associam a melhoria de vida ao empreendedorismo ou ao trabalho por conta própria, o candidato do PL lidera com 62,3%, contra 33,5% do presidente.

Lula lidera entre mulheres e eleitores mais velhos

A pesquisa também mostra que Lula tem uma pequena vantagem entre as mulheres, segmento que pode desempenhar papel importante na definição do segundo turno.

O presidente registra 47,6% das intenções de voto entre as eleitoras, contra 46,9% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o senador lidera por 49,2% a 44,3%.

Na divisão por idade, Lula apresenta seu melhor desempenho entre os eleitores com 60 anos ou mais. Nesse grupo, o petista tem 51% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 37,3%.

Já entre os jovens de 16 a 24 anos, o cenário se inverte: Flávio aparece com 56,2%, contra 39,5% de Lula.

O presidente também mantém vantagem entre os eleitores católicos, com 55% das intenções de voto, ante 38,8% do adversário. Entre os evangélicos, Flávio lidera com 69,8%, enquanto Lula registra 26,8%.

Nordeste garante vantagem de Lula

O levantamento mostra ainda que a divisão regional permanece como uma das principais características da disputa presidencial.

No Nordeste, Lula registra 58,3% das intenções de voto, contra 37,3% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 21 pontos percentuais.

No Norte, o presidente também aparece numericamente à frente, com 47,7%, contra 44,5% do senador.

Já no Sudeste, região com o maior eleitorado do país, Flávio lidera com 55%, enquanto Lula soma 40,7%.

No Sul, o candidato do PL registra 49,5%, contra 43,6% do presidente. No Centro-Oeste, Flávio tem 48,3% e Lula, 35%.

Os resultados mostram que o desafio do presidente na reta final passa por ampliar sua votação nas regiões em que o adversário mantém vantagem, ao mesmo tempo em que busca preservar a dianteira entre os eleitores de menor renda e no Nordeste.

Eleitores de Lula votam mais por apoio ao presidente do que por rejeição a Flávio

Outro dado relevante é a motivação do voto.

Entre os eleitores que declaram preferência por Lula, 72,1% afirmam votar no presidente porque são favoráveis a ele, enquanto 23,6% dizem que sua escolha é motivada principalmente pela oposição a Flávio Bolsonaro.

Entre os apoiadores do senador, 67,1% dizem votar por identificação com o candidato e 31,2% afirmam que sua decisão é motivada pela rejeição a Lula.

A diferença indica que o presidente reúne proporcionalmente mais votos de apoio direto, enquanto o antipetismo tem peso maior na composição do eleitorado de Flávio Bolsonaro.

A rejeição aos dois candidatos, entretanto, permanece elevada. Segundo a pesquisa, 47,7% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 46,5% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.

Debate e propostas podem definir votos na reta final

Entre os 16,3% dos eleitores que admitem mudar de voto, o desempenho dos candidatos nos debates aparece como um dos fatores capazes de influenciar a decisão.

Segundo a pesquisa, 16% desse grupo dizem que poderiam reconsiderar sua escolha em função do desempenho nos confrontos televisivos. Outros 16% afirmam que uma proposta prejudicial a eles ou às suas famílias poderia provocar uma mudança.

A revelação de um escândalo de corrupção envolvendo o candidato escolhido é mencionada por 8,2%, mesmo percentual dos que poderiam mudar de posição ao conhecer uma proposta do adversário.

Outros 39,3% não sabem apontar o que os faria alterar o voto.

Com uma diferença de apenas 2,2 pontos percentuais nos votos válidos e um contingente de eleitores ainda disposto a reconsiderar sua escolha, a pesquisa Meio/Ideia reforça que a eleição presidencial permanece aberta.

A decisão ficará para as urnas de domingo (25), quando os brasileiros escolherão entre a continuidade do governo Lula e a volta do bolsonarismo ao Palácio do Planalto, desta vez representado pelo filho do ex-presidente.

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