Menina de 12 anos morre após ter pescoço cortado por linha de pipa com cerol

A vítima, identificada como Lorena Lourenço da Silva, estava em uma caminhonete em movimento no momento do acidente

ma menina de 12 anos morreu no último domingo (3) após ser atingida no pescoço por uma linha de pipa na zona rural de Álvares Machado, no interior paulista. O caso mobiliza investigação da Polícia Civil e gerou comoção na comunidade escolar e esportiva da região.

Segundo informações das autoridades, a vítima, identificada como Lorena Lourenço da Silva, estava em uma caminhonete em movimento no momento do acidente. Testemunhas relataram que a jovem colocou a cabeça para fora do veículo enquanto o automóvel passava por uma área rural da cidade, quando acabou sendo atingida pela linha.

O impacto provocou um corte profundo no pescoço da menina. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Regional de Presidente Prudente, mas não resistiu aos ferimentos.

Durante as diligências, a Polícia Civil apreendeu restos de pipas e linhas com material cortante nas proximidades do local do acidente. Os itens foram recolhidos na segunda-feira (4) e serão submetidos à perícia. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Seccional de Presidente Prudente.

A mãe da vítima não pôde prestar depoimento imediato por estar sob efeito de medicação. Foi requisitado um exame necroscópico junto ao Instituto Médico Legal (IML), enquanto a caminhonete foi apreendida para perícia técnica.

O caso foi registrado como morte suspeita, quando não há indício de crime, e acidental e segue sob investigação da Delegacia de Polícia de Álvares Machado.

Repercussão

A morte da estudante causou forte repercussão na cidade. A Divisão Municipal de Educação de Álvares Machado divulgou nota de pesar, destacando que Lorena era aluna da rede municipal e participava de atividades escolares.

Associação Prudentina de Atletismo (APA), onde a jovem treinava, também se manifestou. Em nota, a entidade expressou solidariedade à família e aos amigos: “Neste momento de dor, a APA, em nome de toda a diretoria, manifesta seus mais sinceros sentimentos e solidariedade aos familiares e amigos da jovem Lorena”.

O que diz a lei sobre o assunto

O caso também reacende o alerta sobre os riscos do uso de linhas cortantes em pipas, prática proibida por lei em São Paulo. A Lei Estadual nº 17.201/2019 veta o uso, a posse, a fabricação e a comercialização de cerol — mistura de cola com vidro moído —, além de linhas conhecidas como chilena e indonésia, feitas com materiais abrasivos.

A legislação prevê multa de 50 UFESPs para pessoas físicas flagradas utilizando esse tipo de linha. Quando o infrator é menor de idade, a responsabilidade recai sobre os pais ou responsáveis legais. Já estabelecimentos comerciais que vendem esse tipo de material estão sujeitos a multas de até 5.000 UFESPs, além do risco de interdição.

Além das sanções administrativas, o uso de linhas cortantes pode gerar responsabilização criminal. Dependendo do caso, o responsável pode responder por expor a vida ou a saúde de terceiros a perigo, conforme o artigo 132 do Código Penal, cuja pena varia de três meses a um ano de detenção. Em situações mais graves, como quando há morte, a conduta pode ser enquadrada como homicídio culposo.

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