Operação Unha e Carne: PF mira jatinhos, imóveis de luxo e suspeita de uso de entidades religiosas

Nova fase da operação cumpre mandados do STF no Rio; investigação aponta empresas no exterior, bens em nome de terceiros e possível uso de entidades religiosas para ocultar patrimônio

APolícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), a nona fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar empresas, imóveis de luxo, aeronaves e pessoas interpostas para lavar dinheiro e esconder patrimônio. A investigação também apura o possível uso de entidades religiosas e empresas no exterior para dissimular a propriedade de bens de elevado valor.

Os agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, as buscas atingem salas comerciais que funcionariam como estruturas administrativas e operacionais do grupo, além de um imóvel residencial ligado a um de seus principais operadores.

Os investigadores procuram documentos, aparelhos eletrônicos, registros contábeis e informações sobre a movimentação financeira dos suspeitos. Os nomes dos alvos desta quinta-feira não foram divulgados oficialmente.

Operação Unha e Carne avança após análise de celular apreendido

A nova etapa surgiu da análise de informações obtidas após a quinta fase da operação, realizada em julho. Dados extraídos do celular apreendido com um dos investigados permitiram identificar outros endereços, empresas e ativos patrimoniais que, segundo a PF, teriam sido utilizados para administrar e ocultar recursos.

O material levou os investigadores a uma rede de bens de alto valor econômico, incluindo imóveis de alto padrão, aeronaves executivas e veículos de luxo. Parte desse patrimônio estaria registrada em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros sem ligação formal com o núcleo investigado.

Apesar dos registros em nome de outras pessoas, a PF suspeita que os bens continuassem sob administração de integrantes da organização criminosa.

Outro ponto da investigação envolve a utilização recorrente de dinheiro em espécie e movimentações financeiras sem rastreabilidade compatível. Os investigadores identificaram ainda o emprego de empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive em países e territórios com tributação favorecida.

Também está sob apuração o possível uso de entidades religiosas e holdings patrimoniais para esconder a titularidade real de bens. A PF não informou quais instituições ou empresas estariam envolvidas nessa frente.

As informações constam do comunicado oficial divulgado pela Polícia Federal nesta quinta-feira.

Investigação já identificou movimentação de R$ 7,6 bilhões

A Operação Unha e Carne chegou à nona fase duas semanas depois de uma ofensiva contra uma rede de postos de combustíveis suspeita de lavar recursos do crime organizado no Rio de Janeiro.

Na oitava fase, deflagrada em 15 de outubro, a Polícia Federal identificou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em seis anos, conforme relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Na ocasião, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Todos os seis alvos das ordens de prisão foram detidos.

A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas à rede investigada. Desse total, 96 eram postos de combustíveis que, segundo a PF, teriam sido utilizados para dar aparência legal a recursos de origem criminosa.

Os agentes apreenderam 12 veículos de luxo, 13 celulares, joias, relógios, cerca de R$ 90 mil em espécie e 16 armas, além de munições e documentos.

O valor de R$ 7,6 bilhões corresponde às movimentações identificadas naquela frente da investigação, e não ao patrimônio localizado na operação desta quinta-feira.

De TH Joias e Bacellar ao patrimônio milionário

A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025, quando a Polícia Federal prendeu Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), por suspeita de vazar informações sigilosas sobre uma investigação contra o ex-deputado TH Joias, acusado de ligação com o Comando Vermelho.

Desde então, as investigações avançaram sobre suspeitas de corrupção, fraudes em contratos públicos, pagamento de vantagens indevidas a agentes políticos, jogo do bicho e lavagem de dinheiro.

Em julho, a quinta fase atingiu integrantes da cúpula da contravenção e o empresário e pastor Márcio Poncio, preso durante a ação. Os investigadores apuravam suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao jogo do bicho e à chamada Máfia do Cigarro.

 

A nova ofensiva volta o foco para a estrutura patrimonial dos investigados. A Polícia Federal busca identificar quem são os verdadeiros proprietários dos bens, de onde vieram os recursos utilizados nas aquisições e como o dinheiro circulou entre pessoas físicas e empresas.

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