Operação foi realizada em duas cidades do interior de SP e resultou na prisão de um homem de 37 anos
Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil de São Paulo apreendeu, nesta quinta-feira (23), vasto arsenal de armas e material neonazista em dois imóveis localizados nas cidades de Bady Bassitt e São José do Rio Preto, no interior do estado.
A operação, conduzida em conjunto com a Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou na prisão em flagrante de um homem de 37 anos, apontado como responsável por guardar o material.
A ação integra uma investigação em curso sobre a circulação ilegal de armamentos na região.
Na casa em Bady Bassitt, os agentes encontraram quatro pistolas calibre 9mm, uma granada, uma munição de canhão calibre 40mm e o material neonazista.
A combinação de armamento pesado com insígnias de ideologia extremista em um único endereço residencial já seria suficiente para caracterizar a gravidade da ocorrência, mas a operação ainda revelou um segundo depósito.
Em outro imóvel ligado ao suspeito, em São José do Rio Preto, as armas estavam escondidas dentro de um cofre. Ali foram apreendidos sete espingardas, dois fuzis calibre 5.56, um fuzil calibre 7.62, oito outras armas de calibres variados, mais de 900 munições, cartuchos deflagrados e carregadores de fuzil e de pistola.
O fuzil 7.62 é de uso exclusivo das Forças Armadas, o que torna sua posse por um civil não autorizado crime de natureza mais grave na legislação brasileira.
Prisão do suspeito e as acusações
O homem de 37 anos, que não teve o nome divulgado pelas autoridades, foi preso em flagrante como responsável por guardar todo o material recolhido nos dois imóveis.
Ele foi autuado por três crimes: posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, posse irregular de arma de fogo de uso permitido e prática de discriminação, esta última em razão do material neonazista encontrado.
O caso foi registrado na 3ª Delegacia de Homicídios da Deic de São José do Rio Preto.
A autuação por discriminação indica que as autoridades não trataram o material ideológico como mero objeto de coleção: a presença das insígnias neonazistas foi enquadrada como elemento criminoso autônomo, separado das infrações relativas ao armamento.
Investigação em curso
A operação não surgiu de uma denúncia isolada. Ela é resultado de uma investigação mais ampla conduzida pela Deic, que apura a circulação ilegal de armamentos na região de São José do Rio Preto. Os mandados de busca e apreensão cumpridos na quinta-feira (23) foram desdobramento direto desse trabalho investigativo.
A partir das apreensões, a Deic busca desarticular redes de tráfico de armas e mapear a extensão da presença de grupos extremistas na região.
Questões centrais permanecem em aberto: a origem do fuzil de uso exclusivo das Forças Armadas e da munição de canhão calibre 40mm, a existência de outros envolvidos e eventuais conexões do suspeito com organizações neonazistas organizadas ainda dependem de apuração.
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