Princesas do Egito eram treinadas para usar armas, revela estudo

Ossos de quase quatro mil anos mostram prática frequente de arco e flecha, caça e outras atividades físicas entre mulheres da realeza

As princesas do Egito Antigo“não levavam uma vida sedentária de luxo”, mas eram treinadas para usar armas, segundo revelou um estudo da revista Frontiers in Environmental Archaeology nesta sexta-feira (17).

Durante décadas, os arqueólogos achavam que as armas encontradas nas tumbas das mulheres eram objetos simbólicos para a  vida após a morte. O novo estudo deu uma explicação diferente para isso.

O estudo dos esqueletos mumificados de quase quatro mil anos, achados no complexo funerário de Dahshur, cerca de 40 quilômetros ao sul do Cairo, descobriu que essas mulheres praticavam atividades como arco e flecha, caça e exercícios de treinamento militar frequentemente.

As múmias das princesas foram escavadas entre 1894 e 1895 pelo arqueólogo francês Jacques de Morgan. Depois dos primeiros estudos, os  restos mortais foram levados, em 1915, para o Museu Egípcio, onde ficaram esquecidos dentro de uma caixa de madeira por mais de 100 anos.

Só em 2020 que a arqueóloga Zeinab Hashesh, da Universidade Beni-Suef, no Egito, reencontrou os esqueletos do rei Hor, das princesas Noub-Hotep, Ita, Khenmet e Itaweret, além de outra mulher com a identidade não confirmada.

Os pesquisadores reexaminaram os esqueletos usando medições, radiografias e a análise das áreas onde músculos e tendões se prendem aos ossos, regiões que podem mostrar sinais de esforço físico repetido ao longo da vida.

A equipe encontrou sinais de músculos muito desenvolvidos nos braços e ombros, compatíveis com movimentos muito repetitivos, como puxar a corda de um arco ou deixar uma arma firme no seu uso.

Encontramos um desenvolvimento acentuado nos membros superiores desses indivíduos, que corresponde a ações repetitivas e de alta intensidade, como puxar a corda de um arco ou estabilizar uma arma, provando que essas atividades faziam parte de sua rotina durante a vida.Zeinab Hashesh, arqueóloga da Universidade Beni-Suef, no Egito.

Hashesh ainda disse que “isso explica diretamente a presença de arcos, flechas e maças nas tumbas dessas mulheres. Eles não eram apenas presentes simbólicos, mas ferramentas que elas realmente usavam.”

Cada princesa tinha características diferentes

Os pesquisadores também identificaram sinais específicos em cada uma das princesas. Noub-Hotep  tinha marcas de inserção muscular parecidas com as de arqueiros experientes, assim como o rei Hor.

Já a princesa Ita, uma jovem entre 28 e 34 anos, tinha músculos fortes na parte superior do corpo, sugerindo que ela usava frequentemente armas como maças ou punhais.

Khenmet, que morreu entre o fim dos 30 e os 40 anos, tinha perda de massa óssea, mas ainda tinha ligamentos bastante desenvolvidos. Já Itaweret, que tinha entre 20 e 34 anos, sobreviveu a fraturas nas costelas e nos pés, e seu esqueleto indica que era uma arqueira habilidosa.

Algumas das mulheres tinham fraturas já cicatrizadas, possivelmente causadas por treinamentos, caçadas ou até confrontos físicos.

Redação com IG