“Sicário”, capanga da milícia de Vorcaro, morre no hospital, confirma defesa

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, também tratado como “Felipe Mourão” e chamado de “Sicário” na milícia denominada A Turma, de Daniel Vorcaro, teria tentado se matar ao ser preso pela PF.

Advogados de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, também tratado como “Felipe Mourão” e chamado de “Sicário” na milícia denominada A Turma, de Daniel Vorcaro, teve a morte decretada às 18h55 desta sexta-feira (6), confirmaram advogados em nota divulgada no fim da noite.

“Informamos que o quadro clínico evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado hoje, 06.03.26, por volta das 10h15. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal, seguindo-se o protocolo legal”, diz o texto.

Horas antes, o advogado Robson Lucas da Silva havia confrontado a versão sobre a morte em entrevista em frente ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Mourão foi internado após tentar suicídio na Superintendência da Polícia Federal na capital mineira na quarta-feira (4) ao ser preso na Operação Compliance Zero, que também levou Vorcaro e o pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, de volta à cadeia.

 

De acordo com a Polícia Federal, o episódio ocorreu na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais, onde Mourão estava detido após ser preso durante a operação. Assim que perceberam a situação, agentes federais iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o preso foi encaminhado a uma unidade hospitalar para avaliação e atendimento médico.

De acordo com fonte ouvida pela Fórum, Mourão tentou se enforcar com uma camisa, mas foi contido a tempo e levado para o hospital.

Quem é?

As investigações da Polícia Federal identificam Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, também tratado como “Felipe Mourão” e chamado de “Sicário”, como personagem central de um grupo informal denominado “A Turma”, descrito no documento como uma estrutura de vigilância e coerção privada vinculada às investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Bueno Vorcaro.

O caso traz de volta uma comparação que marcou a política fluminense na esteira das investigações sobre “rachadinha” atribuída ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro: na época, veio à tona que o gabinete do parlamentar empregou a mãe e a esposa de Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público do Rio como ligado ao “Escritório do Crime”, grupo associado a assassinatos por encomenda.

Em sua decisão sobre a prisão, Mendonça registra que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão aparece nas comunicações analisadas como “Felipe Mourão”, “atendendo pelo apelido de ‘Sicário’”, e é descrito como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.

O documento também afirma que os elementos reunidos indicam que ele exercia papel central na coordenação operacional do grupo informal “A Turma”, usado para vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários, incluindo pessoas relacionadas a investigações ou críticas ao grupo econômico ligado ao Banco Master.

“A Turma”

A decisão afirma que as investigações apontam um “núcleo de intimidação e obstrução de justiça” e que o grupo mantinha uma estrutura chamada “A Turma”, descrita como voltada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos.

Entre os trechos reproduzidos, o documento registra indícios de pagamentos mensais e cita diálogos em que “Felipe Mourão” menciona que “a turma” estaria cobrando o repasse do mês, além de detalhar a divisão de valores entre integrantes.

A decisão ainda relata que, “a partir dessa metodologia”, haveria acesso indevido a sistemas restritos por meio de credenciais de terceiros, com referência a bases da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como FBI e Interpol, segundo o documento.

Redação com Revista Forum