É revoltante, é inadmissível e fere a dignidade humana. O que a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União revelaram na Operação Ruptura expôs um dos episódios mais graves da saúde pública de Alagoas.
A operação foi deflagrada para investigar um grupo suspeito de corrupção eleitoral, peculato e corrupção ativa e passiva. Ao todo, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas judiciais. Também foram apreendidas três armas de fogo irregulares nas residências dos investigados.
Segundo a Polícia Federal, servidores públicos teriam direcionado eleitores que precisavam de exames, consultas e cirurgias ao Hospital Regional do Alto Sertão, em Delmiro Gouveia, utilizando listas paralelas e mecanismos informais de agendamento para furar a fila oficial do SUS.
De acordo com as investigações, o privilégio não era destinado aos casos mais graves, mas estaria condicionado ao título de eleitor, transformando o acesso à saúde em moeda de troca política. Enquanto isso, pacientes sem influência aguardavam atendimento na fila.
O Hospital Regional do Alto Sertão é dirigido pela médica Christiane Bulhões, que não foi investigada na operação. Ela é irmã do deputado federal Isnaldo Bulhões.
O caso gerou forte repercussão em todo o Sertão. Moradores de Delmiro Gouveia, Inhapi, Piranhas, Olho d’Água do Casado, Santana do Ipanema e Palmeira dos Índios esperam que as investigações avancem e esclareçam completamente os fatos.
Saúde é um direito constitucional. Se comprovado, usar o acesso a consultas e cirurgias para obter vantagem política representa uma grave violação da confiança pública e exige a responsabilização dos envolvidos.
Texto e narração: Fernando Valões
Edição: Miguel Rian
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Redação com Fernando Valões




