“Um sinal”: Nikolas Ferreira se pronuncia sobre ato com raio que atingiu 89 bolsonaristas; vídeo

Acusado de irresponsabilidade por manter o ato pró Bolsonaro mesmo sob alerta de chuvas intensas e risco de descargas elétricas, Nikolas classificou a tragédia como “incidente natural”. “Não foi por uma irresponsabilidade nossa”.

Protagonista da marcha para pedir liberdade a Jair Bolsonaro (PL), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) falou que o ato final realizado em Brasília neste domingo (25) em meio a tempestades com raios que deixaram 89 feridos foi “um sinal”.

“O ato final que não é bem um ato final, é o começo de algo, de algo que tocou os corações, que tocou a nossa alma e eu não tenho dúvidas que é só Deus mesmo para poder colocar quase 100.000 pessoas embaixo de uma chuva que eu nunca vi igual aqui em Brasília, debaixo de trovões, debaixo de frio e ainda assim tem uma multidão sedenta por algo. Isso só pode ser um sinal”, disse o deputado bolsonarista, que manteve o ato mesmo sob alerta meteorológico para chuvas intensas e risco de descargas elétricas.

Líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ) afirmou que vai encaminhar representação à Polícia Federal para que sejam apuradas as responsabilidades do bolsonarista na targédia.

“Mesmo com tempestade forte em Brasília, os organizadores não dispersaram o ato. Resultado: um mastro improvisado virou para-raios, mais de 30 pessoas foram parar no hospital, oito em estado grave, e Nikolas fez um discurso confuso, sem uma palavra de solidariedade às vítimas”, afirmou o líder petista nas redes.

“Incidente natural”

Após ignorar os feridos pelos raios em seu discurso, Nikolas esteve no hospital para visitar os bolsonaristas e classificou o caso como “incidente natural”, mesmo com os alertas emitidos pelos meteorologistas sobre o perigo das descargas elétricas.

“Aconteceu um incidente natural. Não foi por uma irresponsabilidade nossa. Não foi por falta de organização, não foi por tumulto, foi literalmente algo que foge do nosso controle”, afirmou.

O deputado bolsonarista ainda atacou os jornalistas ao falar sobre o caso, ressaltando que muitos veículos de comunicação não cobriram a sua “marcha” de pouco mais de 250 quilômetros, realizada em 7 dias, para criar um fato novo e tentar tirar Bolsonaro da cadeia.

“Eu não vi muitos de vocês na caminhada durante 7 dias. Aí agora, quando acontece, né, aí um incidente natural, aí esses aparecem”, afirmou o deputado, ressaltando que “parte da mídia quer tentar destruir, manchar a imagem de um movimento”.

“Muitos querem reduzir a narrativa, dizendo que a marcha era para uma pessoa somente”, disse, sem citar Bolsonaro.

O deputado ainda aproveitou para tentar se desvincular das investigações sobre o banco Master. Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, o de deputado Rogério Correia (PT-MG), vice líder petista na Câmara, falou das relações de Nikolas com o grupo criminoso, que tem origem na capita mineira.

“Eles são todos aqui de Belo Horizonte: Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, o pastor Zettel, a irmã do Vorcaro, esposa do Zettel, que também é pastora aqui da igreja, apoia o Nikolas Ferreira e o presidente da CPMI, Senador Viana, também membro desta igreja”, disse Correia.

Na declaração aos jornalistas, Nikolas chamou de “narrativa para desgastar nossa imagem” o possível elo com o caso Master.

“As pessoas estão acordadas e eu espero que elas tenham acordadas também exatamente para esse tipo de narrativa, que é para tentar, sabe, desgastar nossa imagem, já que eles não conseguem, né, achar um contrato meu ali com o Banco Master”, disse.

Raio deixa 89 feridos

Mesmo sob alerta meteorológico para chuvas intensas e risco de descargas elétricas, a manifestação bolsonarista foi mantida e resultou em 89 pessoas atendidas por equipes de resgate após a queda de um raio nas imediações da Praça do Cruzeiro.

Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, ao menos 47 participantes precisaram ser encaminhados a hospitais. Onze deles seguem internados em estado grave no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Outros feridos foram levados ao Hospital de Base e ao próprio HRAN, enquanto dezenas receberam atendimento ainda no local. Até o a publicação desta matéria, não havia registro de mortes.

A descarga elétrica ocorreu por volta das 12h50, em meio a uma chuva torrencial, cerca de uma hora antes da chegada de Nikolas Ferreira ao local do ato final, acompanhado por cerca de 400 apoiadores mais próximos. Ainda assim, o evento foi levado adiante pelos organizadores, apesar das condições climáticas extremas e do evidente risco à integridade física dos participantes.

Brasília amanheceu sob alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que previa volumes elevados de chuva, rajadas de vento de até 100 km/h e possibilidade de incidência de raios ao longo de todo o dia. O aviso incluía ainda riscos de alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia.

No momento do impacto do raio, manifestantes estavam aglomerados e tentavam se proteger da tempestade. Parte dos feridos se encontrava próxima a uma grade metálica instalada para separar o público dos políticos, estrutura que cercava quase toda a praça onde Nikolas discursaria. A queda da descarga elétrica provocou correria, pessoas desorientadas e risco de pisoteamento. Guarda-chuvas, capas de chuva e objetos pessoais ficaram espalhados pelo chão após o episódio.

A caminhada liderada por Nikolas Ferreira partiu de Paracatu (MG) e percorreu cerca de 255 quilômetros até a capital federal e tinha como objetivo protestar contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Líder do PT, Lindbergh Farias vai entrar com ação pedindo investigação sobre a responsabilidade de Nikolas no caso.

Segundo publicação de Lindbergh no X, do início ao fim, a mobilização foi marcada pela “irresponsabilidade”. Ele acusa Nikolas de ter iniciado a marcha pela BR-040 sem qualquer comunicação prévia à Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao DNIT ou a outras autoridades competentes, o que teria provocado interdições na via e colocado em risco a vida de manifestantes e motoristas. Relatos apontam, inclusive, para o pouso de um helicóptero às margens da estrada durante o trajeto.

Para Lindbergh, a postura do deputado evidencia a tentativa de usar o ato como cortina de fumaça diante de denúncias recentes. Ele cita o escândalo envolvendo o Banco Master, com o empresário Daniel Vorcaro no centro das investigações, além de conexões com Fabiano Zettel, a Igreja da Lagoinha e o próprio Nikolas Ferreira.

“A liberdade de expressão e de manifestação política não autoriza colocar vidas em risco”, afirmou Lindbergh. Segundo ele, além da representação à Polícia Federal, a resposta política virá nas ruas, com mobilizações no período do pré-carnaval contra a anistia aos golpistas, em defesa do veto presidencial ao PL da Dosimetria e pelo fim da escala de trabalho 6×1.

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