Viajando o mundo e surfando, Eduardo Bolsonaro “não está bem”, diz esposa

Ex-deputado foragido nos EUA já constrói a narrativa do depressivo para entrar, ainda que de longe, nas campanhas da família. Veja o dramalhão da mulher dele

conceito de “sofrimento” acaba de ser atualizado pela família Bolsonaro com um cinismo que beira o deboche. Eduardo, o ex-deputado que decidiu abandonar o mandato para virar “exilado de luxo” por vontade própria, agora tenta emplacar a narrativa do coitadinho através de uma postagem estratégica de sua esposa, Heloísa Bolsonaro. Seguindo o vácuo de Nikolas Ferreira, ela foi às redes sociais para tentar humanizar o parlamentar com um tom melodramático.

“Ele pode não estar bem, mesmo! É humano, carrega uma cobrança e um peso absurdo nas costas, além da dor da saudade. Mas é incansável e também nossa base emocional, firme como uma rocha, que não deixa a gente (eu, Geórgia e JH) desmoronar”, postou no Instagram.

A tentativa de transformar o “03” em uma vítima de perseguição é um movimento calculado para mantê-lo relevante nas campanhas da família, mesmo enquanto ele assiste, de longe, ao pai ser condenado e preso pela tentativa de golpe que ele mesmo ajudou a insuflar.

O “sofrimento” do parlamentar, no entanto, tem roteiros invejáveis que deixariam qualquer trabalhador brasileiro boquiaberto, já que Eduardo foi flagrado recentemente curtindo a vida de playboy e surfando nas ondas dos Emirados Árabes Unidos, sem demonstrar qualquer sinal de que a suposta depressão tire seu sono ou seu equilíbrio na prancha. Além da diversão nas águas do golfo, o “deputado EAD” ainda arruma tempo para bater ponto em eventos de extrema direita em Israel e na Europa, sempre com o objetivo central de atacar as instituições brasileiras e desmoralizar o próprio país diante da comunidade internacional. Tudo isso, claro, mantendo uma vida mansa e um estilo de vida luxuoso bancado por fontes que todos nós bem imaginamos, permanecendo a quilômetros de distância das responsabilidades do cargo público que ele simplesmente rifou ao abandoná-lo para realizar o sonho de “ser americano”.

Essa estratégia da vitimização mostra que a tática é velha, mas o roteiro está cada vez mais mal escrito. Ao usar a própria esposa para espalhar que o marido está “abatido”, Eduardo tenta criar uma cortina de fumaça patética sobre a sua própria covardia e falta de patriotismo. A verdade nua e crua é que ele não fugiu por sofrer qualquer perseguição política real, já que possuía foro privilegiado e não respondia a nada que o impedisse de ficar; ele fugiu porque escolheu a vida boa “na gringa” sem o risco de ter que prestar contas à Justiça brasileira pelos seus atos. É, na prática, um crime contra a nação travestido de melancolia de rede social para enganar incautos.

No resumo da ópera, o que vemos é um Eduardo Bolsonaro que quer desesperadamente o “ônus” de ser um “mártir” da direita, mas sem abrir mão por um segundo sequer do bônus de ser um playboy internacional com acesso aos melhores destinos turísticos do mundo. A indignação fica por conta do desrespeito absoluto com o eleitor, enquanto o deboche surge naturalmente diante dessa tentativa bizarra de transformar “uma rocha” que surfa em Dubai em um injustiçado político perseguido.

Revista Forum