Diálogos citados pela investigação mostram ofensiva contra a jornalista Malu Gaspar após reportagens sobre o Banco Master
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF), divulgadas nesta quarta-feira (1), apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda teriam discutido estratégias para “frear” a atuação jornalística da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, após publicações sobre suspeitas envolvendo o Banco Master.
Os diálogos, segundo reportagens baseadas em material periciado pela PF, são de março e abril de 2025 — período em que o Banco Master já enfrentava crise financeira que mais tarde culminaria em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil.
“Frear a jornalista” e busca por dados pessoais
De acordo com as mensagens citadas, Vorcaro teria afirmado que precisava “frear a Malu Gaspar” após reportagens consideradas desfavoráveis ao banco.
Em resposta, Miranda teria dito que iria “revirar a vida dela” e que seu “time” buscaria informações pessoais. Em outro trecho, ele afirma que não encontrou registros comprometedores, dizendo: “nem multa na CNH dela encontrei”.
As conversas também indicam que o publicitário teria compartilhado dados como endereço, informações financeiras e outras informações pessoais da jornalista, além de comentários sobre a vida privada dela.
Segundo as reportagens, os investigados também teriam analisado movimentações financeiras e renda estimada da colunista.
Discussão sobre proposta milionária para contratação
Em meio às mensagens, surge a possibilidade de uma oferta financeira para retirar a jornalista da linha editorial investigativa.
Segundo os diálogos citados, Vorcaro menciona uma “proposta milionária” para contratação de Malu Gaspar. Em seguida, há sugestão de que a contratação fosse intermediada pela revista IstoÉ, ligada ao grupo Entre.
Outras mensagens indicam que também teria sido discutida uma eventual proposta via Grupo LeoDias, do qual Miranda era CEO à época.
De acordo com o material divulgado, valores como salário mensal e possíveis “luvas” contratuais teriam sido mencionados nas tratativas.
Uma das versões das investigações aponta ainda que um documento interno teria estimado remuneração de até R$ 120 mil mensais, além de bônus que poderia chegar a R$ 1,5 milhão na assinatura do contrato.
Monitoramento de reportagens e reação a investigações
As mensagens também indicam que havia acompanhamento contínuo das reportagens produzidas por Malu Gaspar e sua equipe, especialmente sobre negociações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo os diálogos, após novas publicações, os investigados demonstrariam preocupação com a repercussão e com o volume de matérias.
Há ainda registros de mensagens mencionando outro colunista de O Globo, Lauro Jardim, com relatos de tentativas de abordagem e interrupção de reportagens.
A divulgação das mensagens ocorre no contexto da investigação da PF sobre o Banco Master e operações financeiras associadas. As informações seguem sob análise das autoridades e fazem parte de um conjunto mais amplo de apurações.
Defesas e manifestações
A defesa de Thiago Miranda afirmou não ter tido acesso integral às mensagens e criticou o que classificou como “vazamento seletivo” da investigação.
O jornal O Globo publicou nota de repúdio às ações atribuídas aos investigados, afirmando que elas representariam tentativa de intimidação e ataque ao trabalho jornalístico.
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