Preso que decapitou e arrancou órgãos e orelhas de colega de cela no CDP II de Pinheiros, em SP, tem extenso histórico de crimes violentos
Reincidente, e com ao menos 16 faltas graves nos últimos 20 anos em que teve passagens pelo sistema prisional, o preso que decapitou um colega de cela no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, no último sábado (28/2), já matou outro detento enforcado com um lençol.
O caso aconteceu em 25 de agosto de 2022 na unidade III do mesmo complexo prisional. O julgamento de Rodrigo Galvão dos Santos, de 42 anos, conhecido como Rota (foto em destaque), estava previsto para ocorrer na última quinta-feira (26/2), mas ele não compareu. O preso, que possui uma extensa ficha criminal, é acusado de homicídio qualificado.
No sábado, ele confessou ter matado Washington Ramos Brito, de 32 anos, com a ajuda de outro colega de cela. A dupla utilizou uma lâmina de barbear para decapitar e arrancar os órgãos internos e orelhas da vítima – nos moldes de como age a facção criminosa Bonde do Cerol Fininho, rival do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema prisional paulista.
Enforcou colega de cela com lençol
Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e depoimentos colhidos pela investigação, o detento Jefferson Lopes Ceroni se desentendeu com outro preso, identificado como Robson Santos de Carvalho.
Após uma briga inicial, Rota ajudou Jefferson a imobilizar a vítima. Com um pedaço de lençol, os dois estrangularam o preso até a morte. O corpo ficou escondido no canto da cela 401 durante a vistoria noturna, mas foi descoberto mais tarde.
Conforme o MPSP, Rota “aderiu à motivação” e aceitou participar do plano homicida. Tanto ele quanto Jefferson faltaram à audiência do Júri na última quinta-feira.
Histórico violento
Rota tem diversas passagens pelo sistema prisional e acumula quase duas dezenas de faltas graves ao longo de mais de 20 anos de idas e vindas da cadeia.
Ele foi preso pela primeira vez no início de 2002 por roubo tentado, e ainda naquele ano teve passagens por furto qualificado e outros roubos. Em 2003, fugiu do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo.
Em 2006, o criminoso esteve envolvido em crimes de desacato, dano qualificado e resistência à execução de ato legal em Mirandópolis e Taubaté, ambas no interior paulista. No mesmo ano, foi acusado de sequestro e cárcere privado.
Seis anos depois, em 2012, recebeu nova condenação por roubo, desta vez em Jundiaí, também no interior do estado. Anos depois, foi condenado por torturar outro detento em uma unidade prisional.
Rota também afirmou à Justiça pertencer ao Comando Vermelho e participar de agressões contra integrantes do PCC dentro do sistema prisional. O histórico coincide com a suposta participação na facção Bonde do Cerol Fininho, que rivaliza com o grupo paulista, assim como faz a organização carioca.
O preso ainda tem passagem por roubo com simulacro de arma de fogo e por ter matado Robson no CDP III de Pinheiros. Agora, ele acumula ainda o homícido de Washington à sua extensa ficha criminal.
Até 2018, Rota já acumulava mais de 15 anos de penas somadas em sua ficha de execução criminal. O histórico carcerário dele é descrito pelas autoridades penitenciárias como “coberto de violência a terceiros” e “totalmente conturbado”.
Suspeito de matar a mãe
- Washington Ramos Brito foi preso após ser suspeito de matar a própria mãe, de 58 anos, em uma casa no Jardim das Palmas, região do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo.
- O corpo de Angelina Maria Ramos foi encontrado durante a manhã por outro filho da vítima. O cadáver tinha sinais de estrangulamento e arranhões pelo pescoço.
- Em depoimento à PM, o filho que encontrou a mãe morta contou ter saído para trabalhar, na noite de terça-feira (24/2), e viu a porta do quarto dela fechada. Ao retornar, ele observou a porta ainda fechada e decidiu abrir, momento em que encontrou o corpo da mulher.
- Segundo o tenente-coronel da PM Ives Minosso, o filho da vítima também revelou que a última pessoa a estar na casa foi seu irmão, que teria passagens na Justiça.
- Após ser preso, Brito foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital, e, posteriormente, deu entrada no CDP de Pinheiros II, onde foi morto decapitado em três dias.
Presos se revoltaram com matricídio
Questionados, Rota e Wellington confessaram terem assassinado Washington. Eles afirmaram que não têm as respectivas mães vivas e, por isso, se revoltaram com o matricídio. A comoção motivou a morte violenta do homem.
Os dois suspeitos foram levados para o 91° Distrito Policial (Ceagesp), onde prestaram depoimento, mantiveram a confissão e passaram por exame de corpo delito. Eles retornaram ao cárcere, ficando à disposição da Justiça.
O Metrópoles questionou a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) se alguma advertência ou transferência foi aplicada aos presos, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. No caso de resposta, a matéria será atualizada.
A defesa dos acusados citados não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestação.




