Governo estuda zerar impostos do querosene para conter alta das passagens aéreas

Medida emergencial integra pacote para aliviar custos das companhias

O governo federal estuda zerar temporariamente a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação (QAV) como parte de um pacote emergencial para conter a alta das passagens aéreas. A iniciativa surge em meio à forte pressão sobre os custos das companhias, após o aumento superior a 50% no preço do combustível anunciado pela Petrobras.

A medida, que pode ter duração limitada entre dois e três meses, ainda está em discussão entre o Ministério de Portos e Aeroportos e a equipe econômica. Há receio de que incentivos ao setor se tornem permanentes, o que explica a preferência por soluções com prazo definido.

No anúncio do reajuste, a Petrobras esclareceu que as companhias da aviação comercial pagarão um aumento de apenas 18% em abril no preço do querosene de aviação (QAV), percentual menor que o reajuste de 54,8% previsto em contrato. A diferença poderá ser parcelada em seis vezes pelos clientes da Petrobras, com primeira parcela a vencer a partir de julho de 2026.

De acordo com a estatal, a medida tem o objetivo de preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado.

Pacote inclui crédito e alívio regulatório

Além da desoneração do querosene, o governo apresentou outras propostas para mitigar os impactos imediatos sobre o setor aéreo. Entre elas, está a criação de linhas de crédito com recursos do Tesouro, operadas pelo Banco do Brasil, que podem disponibilizar até R$ 400 milhões às companhias, com prazo de pagamento até o fim do ano.

Outra medida em análise é o adiamento do pagamento das tarifas de navegação aérea à Força Aérea Brasileira (FAB), o que poderia aliviar temporariamente o fluxo de caixa das empresas.

Representantes dos ministérios envolvidos devem se reunir para definir quais ações serão efetivamente implementadas.

Guerra no Oriente Médio impulsiona custos

escalada dos preços do querosene está diretamente ligada ao avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Embora seja considerada positiva, a possível isenção de PIS/Cofins é vista pelas empresas aéreas como insuficiente para compensar o aumento expressivo do combustível — principal item de custo do setor.

Entre as três maiores companhias que operam no país, o gasto mensal com combustível gira em torno de R$ 700 milhões. Com o reajuste recente, esse valor pode subir cerca de R$ 350 milhões por mês.

Já a economia gerada pela retirada de PIS/Cofins seria significativamente menor, estimada entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões mensais.

O que defendem as empresas

Nos bastidores, executivos do setor comparam a medida a um alívio simbólico diante de um problema estrutural. A avaliação é de que, embora bem-vinda, a iniciativa está longe de neutralizar os efeitos da alta do querosene.

Por isso, as companhias aéreas defendem um conjunto mais robusto de ações para enfrentar a escalada de custos. Entre os pleitos estão, além da desoneração do querosene, a revisão do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações financeiras e a isenção do Imposto de Renda sobre contratos de leasing de aeronaves.

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