Erick Blatt, flagrado furtando iguaria que custa em torno de R$ 3 mil o quilo, não viu crimes de lavagem de dinheiro ao investigar Flávio Bolsonaro por ocultação de bens à justiça eleitoral.
lagrado pelas câmeras de segurança roubando um vidro de carpaccio de trufa em um supermercado localizado no Shopping RioMar, em Recife, o delegado da Polícia Federal Erick Ferreira Blatt isentou Flávio Bolsonaro em investigação sobre ocultação de patrimônio e possível lavagem de dinheiro em 2020.
Ex-diretor da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) no Rio de Janeiro e atualmente lotado em Pernambuco, Blatt chegou a ser detido após abordagem do segurança do supermercado, que confirmou que estava em seu bolso o pote da iguaria, que custa em torno de R$ 3 mil o quilo. Conduzido à delegacia, ele foi atuado e liberado.
Blatt é tido como um dos pivôs do atrito que levou Sergio Moro (PL-PR), atual candidato de Flávio Bolsonaro ao governo do Paraná, a deixar o “super” ministério da Justiça em abril de 2020. À época, o então ministro acusou Jair Bolsonaro (PL) de “interferência” na Polícia Federal após ouvir do ex-presidente que trocaria o comando da corporação e até do ministério dizendo que “eu não vou esperar foder a minha família toda”.
Como presidente da ADPF, Blatt também foi acusado de contratar a empresa da namorada para produção e a entrega de cestas de Natal para os associados – o que é proibido pelo estatuto da organização.
Ao conduzir a investigação sobre falsidade ideológica eleitoral por suposta ocultação de patrimônio na declaração de bens à Justiça eleitoral em 2014, Blatt concluiu que Flávio tinha “renda compatível” e que que não havia indícios do crime eleitoral e também de lavagem de dinheiro.
Flávio também era investigado no esquema de corrupção das rachadinhas, a cargo de outro delegado da PF e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Mas, o inquérito acabou suspenso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2021 pelo ministro João Otávio Noronha, que um ano antes havia concedido prisão domicilar a Fabrício Queiroz, pivô das rachadinhas, e ouviu de Jair Bolsonaro que “a primeira vez que o vi foi um amor à primeira vista”.
“Prezado Noronha, permita-me fazer assim, presidente do STJ. Eu confesso que a primeira vez que o vi foi um amor à primeira vista. Me simpatizei com Vossa Excelência. Temos conversado com não muita persistência, mas as poucas conversas que temos o senhor ajuda a me moldar um pouco mais para as questões do Judiciário. Muito obrigado a Vossa Excelência”, disse o ex-presidente na ocasião.
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