Agentes cumprem mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares em três estados e no DF
A Polícia Federal cumpre, nesta quarta-feira (27), 31 mandados de busca e apreensão em fase da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Os principais alvos são pessoas ligadas a associações que tinham autorizações para fazer descontos de benefícios do INSS. A CGU (Controladoria-Geral da União) também participa da ação.
São considerados três núcleos de irregularidades nessas investigações: em São Paulo, em Brasília e em Garanhuns (PE).
A determinação foi dada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Os alvos são dos estados de Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no DF.
Em nota, a PF diz que são investigadas suspeitas “de diversos crimes contra a administração pública, tais como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial”.
Entre os alvos, estão Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho, da Unibap. Também há alvos ligados à Abenprev. Elas são investigadas por suspeitas de descontos após acordos de cooperação com o INSS assinados entre 2021 e 2023.
Fraudes no INSS
As investigações sobre fraudes no INSS revelaram um esquema em que associações e sindicatos realizaram descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização dos segurados, causando prejuízos bilionários. Segundo estimativas da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, o rombo pode chegar a R$ 6,3 bilhões, atingindo cerca de 4,1 milhões de beneficiários em diferentes regiões do país.
O esquema teria funcionado entre 2029 e 2024, mas investigações posteriores revelaram que as primeiras denúncias foram feitas ainda em 2017. Entre os principais operadores investigados estão Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontados como articuladores do esquema.
A operação da Polícia Federal deflagrada em abril de 2025 cumpriu centenas de mandados de busca e apreensão em diversos estados e resultou no afastamento de servidores, além da prisão de investigados ligados ao esquema. O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo durante as investigações.
As autoridades também passaram a apurar suspeitas de omissão de gestores públicos diante de alertas sobre irregularidades recebidos ainda nos primeiros anos do esquema. Relatórios e documentos revelados posteriormente indicaram que órgãos do governo haviam sido informados sobre denúncias de descontos indevidos, mas falhas de fiscalização permitiram a continuidade das fraudes.
O escândalo provocou forte repercussão política e administrativa, culminando na saída do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. Além disso, a CPMI do INSS passou a investigar possíveis conexões políticas e empresariais envolvendo figuras públicas e ex-integrantes da autarquia.
O governo federal iniciou um processo de reembolso para aposentados e pensionistas prejudicados pelos descontos indevidos, enquanto a Polícia Federal segue conduzindo novas fases da operação e aprofundando acordos de delação premiada relacionados ao caso.
Folhapress




