Brasil Dono da “Picanha de Bolsonaro” é acusado de calote por mulher trans: queria ser passivo

Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás, é conhecido nas redes por discursos de ódio contra parlamentares trans, como Erika Hilton e Duda Salabert; vídeo

Oempresário goiano Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás e conhecido nas redes sociais pela comercialização da chamada “Picanha de Bolsonaro“, foi acusado por uma mulher trans de transfobia, ameaça e de não pagar um programa no valor de R$ 500. A denúncia foi registrada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e está sendo apurada.

A denunciante, identificada na reportagem como Aline para preservar sua identidade, afirma que conheceu o empresário após contatos iniciados pelas redes sociais. Segundo ela, os dois já haviam conversado anteriormente, mas o encontro ocorreu apenas em junho deste ano, depois de negociações feitas por WhatsApp.

Queria que ela fosse ativa

De acordo com o boletim de ocorrência, a relação entre os dois se deteriorou durante o atendimento. Aline relata que o empresário queria que ela fosse ativa na relação, prática que ela não oferece. Após perceber que o cliente era o dono do Frigorífico Goiás, ela passou a questioná-lo sobre publicações que, em sua avaliação, atacavam pessoas trans, apesar de ele procurar esse tipo de serviço.

Queria que ela fosse ativa

De acordo com o boletim de ocorrência, a relação entre os dois se deteriorou durante o atendimento. Aline relata que o empresário queria que ela fosse ativa na relação, prática que ela não oferece. Após perceber que o cliente era o dono do Frigorífico Goiás, ela passou a questioná-lo sobre publicações que, em sua avaliação, atacavam pessoas trans, apesar de ele procurar esse tipo de serviço.

A discussão foi registrada em vídeo. Nas imagens, às quais a reportagem teve acesso, a acompanhante critica o comportamento de homens que, segundo ela, mantêm relações com mulheres trans enquanto fazem discursos públicos considerados preconceituosos. Em determinado momento, ela também menciona declarações envolvendo o debate sobre o uso de banheiros por pessoas trans.

Após a gravação, a mulher afirma que Leandro tentou impedir que o conteúdo fosse divulgado. Segundo seu relato à polícia, ele chegou a oferecer dinheiro para evitar a publicação das imagens. Ela sustenta, porém, que recusou a proposta e nega ter exigido qualquer quantia para manter silêncio sobre o episódio.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, o empresário passou a acusá-la de tentativa de extorsão e fez ameaças. Entre as frases atribuídas a ele está a afirmação de que teria recursos financeiros para “mandar fazer o que quisesse” contra ela.

Leandro Batista Nóbrega ganhou notoriedade nos últimos anos ao associar sua marca ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, costuma publicar vídeos de churrascos, ações promocionais e manifestações políticas em defesa de lideranças da direita. O empresário soma milhões de seguidores em seus perfis.

Apoio aos Bolsonaros e críticas a trans

Além do apoio frequente a Bolsonaro, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a outras figuras conservadoras, Leandro também já protagonizou outras polêmicas. Em uma delas, instalou na entrada de seu frigorífico uma placa informando que eleitores do PT não seriam bem-vindos, medida posteriormente revertida por decisão judicial.

O empresário também costuma compartilhar conteúdos críticos ao movimento trans e direcionar publicações contra parlamentares como Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSB-MG), posicionamentos que voltaram a ser mencionados pela denunciante durante a discussão.

A reportagem do Metrópoles procurou Leandro Batista Nóbrega e o Frigorífico Goiás para comentar as acusações, mas não recebeu resposta até a conclusão desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

Revista Forum