“Morte digital” de Bolsonaro vira dado: ex-presidente perde mais de 100 mil seguidores por mês nas redes sociais

Soma dos perfis públicos de Jair Bolsonaro caiu de 68,5 milhões para 67,7 milhões desde novembro, em meio à proibição do STF ao uso das redes sociais

Jair Bolsonaro (PL) perdeu cerca de 800 mil seguidores nas redes sociais desde novembro. A soma dos perfis públicos do ex-presidente no Instagram, X, Facebook, YouTube e TikTok caiu de 68,5 milhões para 67,7 milhões. A perda média supera 100 mil seguidores por mês.

O dado dá peso concreto à expressão “morte digital”, usada por aliados para descrever o isolamento de Bolsonaro nas plataformas. O ex-presidente segue impedido de usar redes sociais, direta ou indiretamente, por decisão do STF.

A queda atinge o ponto mais sensível do bolsonarismo. Bolsonaro construiu sua força política com comunicação direta, mobilização permanente e ataque constante a adversários nas redes. Sem acesso aos próprios perfis, perdeu o principal canal de comando sobre a militância digital.

Bolsonaro perde seguidores no centro da máquina digital

O movimento mostra uma virada. Mesmo depois da restrição judicial, os perfis de Bolsonaro ainda mantinham algum crescimento residual, puxado por publicações antigas e pela atuação de apoiadores. Agora, a curva mudou de direção.

A perda de seguidores indica redução de alcance, menor capacidade de mobilização e desgaste no ambiente em que Bolsonaro sempre operou com mais força. Para o bolsonarismo, as redes não foram apenas vitrine. Foram método de pressão política.

A decisão do Supremo mira justamente esse uso. A Corte deixou claro que Bolsonaro não foi impedido de falar em público, conceder entrevistas ou fazer discursos. O bloqueio recai sobre a tentativa de transformar falas em conteúdo para redes sociais por meio de aliados e apoiadores.

STF corta o atalho digital de Bolsonaro

Sem poder publicar diretamente, Bolsonaro passou a depender dos filhos, de parlamentares e de influenciadores para continuar circulando nas plataformas. A substituição, porém, não tem o mesmo efeito. O comando direto desaparece. A audiência sente.

O desgaste digital ocorre no mesmo período em que o ex-presidente enfrenta as consequências da trama golpista. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.

A condenação reforçou o isolamento político do ex-presidente. A perda de seguidores mostra que esse isolamento também chegou ao território onde Bolsonaro sustentou parte decisiva de sua liderança.

“Morte digital” deixa de ser só discurso

A expressão “morte digital” ganhou força entre bolsonaristas porque resume a perda de presença direta de Bolsonaro nas redes. Agora, o termo aparece acompanhado de um número: 800 mil seguidores a menos desde novembro.

A família Bolsonaro tenta manter o ex-presidente ativo no debate público com publicações e mensagens de apoio. Mas a operação terceirizada não reproduz a força das postagens feitas pelo próprio Bolsonaro.

O bolsonarismo continua presente nas plataformas, mas seu principal líder perdeu o controle do próprio centro de distribuição. Com os perfis parados, a condenação no STF e a audiência em queda, Bolsonaro vê a “morte digital” deixar de ser retórica e virar dado nas redes.

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