
José Avelino Grota de Souza, que virou alvo de investigação, fez críticas a negros e pobres ao discutir uso de uniforme branco por babás da elite paulistana

O post do promotor José Avelino Grota de Souza, que ele afirma ser irônico (Reprodução/Facebook)
O promotor de Justiça José Avelino Grota de Souza, do Ministério Público do Estado de São Paulo, que virou alvo de uma investigação da Corregedoria Geral do Ministério Público e da Procuradoria-Geral de Justiça depois de ter publicado no Facebook um texto em que tece comentários depreciativos sobre negros, pobres e babás, disse, em entrevista a VEJA, que seu post é “irônico do começo ao fim”.
Grota, que tem 26 anos de carreira, terá de explicar aos superiores qual o contexto do post publicado no dia 27 de agosto em um grupo privado chamado MPSP-Livre, composto exclusivamente por cerca de 800 promotores e procuradores do Estado, em que faz comentários sobre a obrigatoriedade de as babás usarem uniforme branco em clubes da elite paulistana, tema de uma apuração da Promotoria suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Entre outras afirmações, Grota diz que estava refletindo sobre a questão e que chegou a algumas conclusões, entre elas: “preto é catinguento porque sua muito” e, por isso “o uso da roupa branca pelas babás é uma solução muito adequada porque branco é a cor da pureza e, ao usar a roupa branca, a babá, que é feia, se transforma, ficando um pouquinho menos feia”. Diz ainda que “pobre, em regra é feio; babá, em regra, é pobre; logo, babá em regra, é feia”.
Grota diz que sua postagem se trata de uma resposta contra uma decisão do Órgão Especial do TJ-SP, que dias antes suspendera a investigação do MP sobre a obrigatoriedade de as babás usarem uniforme branco para entrar em locais como o Club Athletico Paulistano, o Esporte Clube Sírio e o Clube Atlético São Paulo. Diante disso, o Ministério Público ainda vai recorrer às instâncias superiores.
“Essa questão de babás usarem branco é uma discussão antiga, vem desde 2015. Ao longo desse tempo todo, houve uma discussão da classe nesse grupo, que é fechado. E eu sempre me manifestei favorável aos colegas da área de Direitos Humanos, que estão investigando o caso. Sempre achei que o uso de uniforme é uma forma de preconceito e quem me acompanha sabe disso”, afirmou o promotor, que disse estar tranquilo com relação à investigação contra ele. Grota diz ainda que se declara pardo nos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, portanto, não faria sentido ele ter preconceito contra a própria cor.
Promoção e denúncia
A denúncia contra ele foi feita por outro promotor, que também faz parte do grupo fechado. Segundo Grota, que está prestes a ser promovido a procurador de Justiça, essa é a primeira vez que alguém entra com uma representação contra ele. No próprio post, ele recebeu o apoio de amigos, que, segundo ele, entenderam o teor irônico e crítico do texto. “Estou absolutamente tranquilo em relação a isso. Já fui formalmente informado da representação e tudo será devidamente explicado à Corregedoria e à Procuradoria”, afirmou.
Veja o polêmico post do promotor:
(Reprodução/Reprodução)
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