Senador jurou de pé junto em vídeo gravado na véspera que nunca pensou em deixar o país. No dia seguinte, escafedeu-se
Flávio Bolsonaro (PL) iniciou a campanha presidencial de 2026 com uma mentira.
Ao ser confrontado sobre por que Daniel Vorcaro financiou o filme “Dark Horse”, sobre seu pai, em 13 de maio de 2026, o senador deu uma sonora risada e devolveu a pergunta para o repórter Thalys Alcântara, do site “The Intercept Brasil”. “De onde você tirou essa informação? É mentira”.
Horas depois o mesmo site divulgou o áudio em que o senador pedia uma parcela dos R$ 134 milhões ao dono do Banco Master para bancar a obra na surdina.
Flávio foi desmentido em público e seguiu a candidatura até o fim.
Seria desmentido muitas outras vezes até 25 de outubro, dia do segundo turno da eleição. Inclusive por agências de checagem, que viraram a noite para checar e contradizer as toneladas de inverdades divulgadas por ele nos debates da TV contra Lula (PT).
Derrotado, Flávio correu no dia seguinte para a prisão domiciliar do pai, Jair Bolsonaro, para pedir conselhos.
Saiu de lá e encontrou agentes da Polícia Federal com uma intimação.
Investigado no caso “Dark Horse” e por associação suspeita com um acusado de lavar dinheiro com bets, ele deveria entregar o passaporte em menos de 24 horas.
O senador atribuiu a ordem de Alexandre de Moraes a uma fala de Eduardo Bolsonaro a um podcast em 23 de outubro, quando sugeriu ao irmão que deixasse o país em caso de derrota. “Eu nunca falei isso! Isso é motivo pra tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”, queixou-se.
Na sequência, Flávio disse que entregaria os passaportes e reiterou: “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou me defender dessa aberração. Ninguém vai me intimidar.”
Não tem um traço de verdade na última declaração do ex-candidato antes de evaporar. Ele pensava, sim, em deixar o país, não ficou para se defender e, sim, estava intimidado.
Menos de 24 horas depois, em vez de cumprir a decisão, aliados do senador foram avisados de que ele deixou o país e voava rumo aos Estados Unidos. Não se sabe (ainda) como nem por onde.
O vídeo da véspera era pura atuação.
Ao fazer o Marco Aurélio, personagem de Reginaldo Faria que entra num avião e dá uma banana para o Brasil ao fugir do país com Leila (Cássia Kis) na novela “Vale Tudo”, Flávio encerra a campanha de 2026 do jeito que começou. Mentindo.




