O líder do MDB na Câmara dos Deputados, Isnaldo Bulhões (AL), concedeu uma entrevista ao GLOBO e fez críticas incisivas ao seu conterrâneo e ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Bulhões defendeu a atuação do atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), e insinuou que as queixas de Lira decorrem da “saudade” do poder.
Críticas a Lira e Defesa de Motta
Bulhões afirmou que a tentativa de cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) se tornou um “capricho de Arthur Lira”. Segundo o emedebista, o ex-presidente ainda não se deu conta de que seu mandato na chefia da Câmara acabou, e o atual presidente, Hugo Motta, agiu corretamente ao pautar o caso, deixando a decisão para o colegiado.
“A cassação dele virou um capricho de Arthur Lira. Ele ainda não se deu conta de que é ex-presidente da Câmara e que o presidente Hugo (Motta) fez o correto: pautou. E o colegiado decidiu… O derrotado foi ele (Lira), porque operou para cassar o Glauber por capricho e não por fato,” declarou Bulhões.
Ao ser questionado sobre as reclamações de Lira de que Motta não o escuta, o líder do MDB foi categórico: “Eu defendo o comportamento do presidente Hugo Motta, que está corretíssimo na condução. Só tem um problema: talvez ele (Lira) tenha saudade, esqueceu que o mandato dele acabou. A gente precisa ter respeito na condução de cada um.”
Relação Governo-Congresso: Diálogo e Articulação
Aliado do governo Lula, Isnaldo Bulhões avaliou que, apesar do esforço da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o Palácio do Planalto precisa melhorar o relacionamento com o Congresso.
O deputado ressaltou que a dificuldade do governo não se resume apenas à execução orçamentária, mas também ao diálogo e à busca por um caminho comum nos textos das propostas. Ele sugeriu que a Esplanada e a Casa Civil, em particular os ministros Rui Costa e Miriam Belchior, deveriam “ouvir mais a SRI” e se aproximar da política.
STF e Orçamento
Sobre as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), como a que determinou a cassação da deputada Carla Zambelli, Bulhões reconheceu que a Câmara é “política” e, em certos momentos, precisa decidir politicamente, mas que é possível chegar a um entendimento entre os Poderes.
Em relação à agenda fiscal, ele destacou que a aprovação de projetos como a revisão de renúncias fiscais e o aumento da tributação do Juros Sobre Capitais Próprios (JCP) depende de acordo, mais do que do tempo. Ele também defendeu o maior poder do Legislativo no Orçamento, argumentando que “quem está na ponta conhece as maiores necessidades.”
Redação com o globo




