PF encontrou mensagens e vídeos em que Silvia de Amorim comemorava invasão aos prédios públicos e dizia ter “tomado o poder”
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou prender a diarista Silvia de Amorim Jesus, de 46 anos, para que ela comece a cumprir a pena de 14 anos de prisão por envolvimento nos atos de 8 de Janeiro, em Brasília.
Em virtude do trânsito em julgado desta ação penal, determino o início do cumprimento da pena de reclusão, em regime fechado, imposta a Silvia de Amorim Jesus. Expeça-se o mandado de prisão, destinado à Polícia Federal”, diz a ordem do ministro.
De acordo com as investigações, a diarista, moradora de Jaru (RO), participou da invasão aos prédios públicos no 8/1. Mensagens encontradas no celular dela mostram que, um dia antes dos ataques, Silvia encaminhou uma mensagem para um contato salvo como “Gil”.
No dia da invasão, a PF encontrou mensagens e gravações feitas por Silvia dentro do Palácio do Planalto e nas imediações do Congresso Nacional, nas quais ela comemorava os atos.
“É ao vivo meu irmão! Tomemos o poder irmão! Tá pegando fogo!”, dizia uma frase enviada para um contato. “Tomemo todos os poderes. Tamo aqui dentro do Planalto, em tudo, tudo. Tá tudo tomado. Chega e vem pra cá”.
Silvia foi presa em 9 de janeiro, um dia após os ataques, por decisão de Moraes. A PF também encontrou no celular dela um áudio em que relatava a depredação e afirmava que participava de uma “guerra”.
“Estamos detidos na PF. Nós tomemo, mas, depois, vieram com muita polícia e jogaram bomba em nós até nós recuar. Bomba e bomba de borracha e spray de pimenta até nós recuar. Mas nós invadimo tudo. Quebramo aquele trem tudo”, disse.
Ela prosseguiu: “Agora pegaram nós de manhã cedo e trouxeram nós pra cá (…). É assim mesmo, nós entra numa guerra e está disposto a qualquer coisa (…). Não me arrependo não, faria tudo de novo. Não vou parar. Nós não vai parar, pode ter certeza. Nós não vai entregar nosso país de mão beijada.”
Com base nas informações encontradas pela PF no aparelho, o Ministério Público Federal (MPF) ampliou a acusação contra Silvia. Inicialmente, ela havia sido denunciada pelos crimes de associação criminosa e incitação ao crime, sob a suspeita de ter participado apenas do acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.
Após as novas informações reunidas pelos investigadores, a acusação passou a incluir os crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Por maioria, os ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin acompanharam o voto de Moraes pela condenação a 14 anos de prisão. Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça divergiram.
À coluna, a defesa afirmou que vai pedir a revisão criminal da condenação.
Lista
O nome de Silvia integra uma extensa lista de mandados de prisão expedidos pelo ministro. Atualmente, são mais de 240 mandados em aberto, sem considerar aqueles expedidos sob sigilo.
Entre os mandados pendentes está o de Alexandre Ramagem, ex-deputado federal condenado por tentativa de golpe.
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