No dia 12 de novembro de 1976, o então Presidente General Ernesto Geisel cumpriu agenda oficial em Alagoas, visitando a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar (atual Campus da UFAL em Rio Largo). Na ocasião, ele foi recebido pelo diretor da instituição, Jarbas Oiticica. O destaque do encontro foi a apresentação de uma tecnologia revolucionária: o protótipo de um motor movido por uma mistura de água e álcool. O projeto, conhecido como o “Reator Chambrin” (em referência ao engenheiro francês Jean Chambrin, que contava com o apoio de Oiticica), prometia transformar a matriz energética nacional. Contudo, após o entusiasmo inicial e a demonstração ao General, o invento enfrentou resistências e o engenheiro acabou se deslocando para o Rio Grande do Sul antes de o projeto ser sumariamente arquivado pelas autoridades federais, tornando-se um dos maiores mistérios tecnológicos do regime. Dando continuidade à agenda do setor sucroalcooleiro, em 1977, o Governador de Alagoas, Divaldo Suruagy, viajou ao Rio de Janeiro para participar da abertura da Exposição de Cana-de-Açúcar em Campos dos Goytacazes. O evento foi realizado ao lado do então governador fluminense, Faria Lima, consolidando a importância política e econômica da produção de açúcar e álcool para os dois estados. Pesquisa: Fernando Valões De acordo com as investigações e o resgate histórico realizado pelo jornalista e historiador alagoano Fernando Valões (conhecido por suas obras de correção histórica e memórias da comunicação em Alagoas), esse episódio é um marco do potencial de inovação do estado que foi obscurecido pelo tempo. O Papel de Jarbas Oiticica: Valões destaca que Oiticica não foi apenas um diretor, mas o principal entusiasta local que “apostou” no projeto do motor a água, fornecendo veículos da Estação Experimental para os testes. Contexto do Proálcool: A pesquisa de Valões situa o encontro no auge do Programa Nacional do Álcool, sugerindo que a tecnologia de Chambrin (água + álcool) poderia ter sido uma alternativa ainda mais radical à gasolina, caso não tivesse sido descontinuada. Documentação: Muitos desses registros constam em acervos da época e foram revisitados por Valões para compor a memória política de Alagoas. Fontes e Referências Arquivo Nacional: Fundo de Documentação da Presidência da República (Geisel). Fernando Valões: Pesquisas publicadas sobre a história de Alagoas e a evolução da comunicação (Obra: Da Fome à Fama).
Fernando Valões




